Curso sobre gratuito sobre Dislexia
segunda-feira, 4 de maio de 2015
terça-feira, 1 de abril de 2014
Sobre o Estupro
Um relato impressionante e emocionado de uma jovem estuprada.... Porque ninguém merece passar por uma experiência destas. Leiam com atenção.
A história que segue é suja, densa – tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca: retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você.
Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar.
Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bolsa no chão. A chave do carro perdida na grama próxima. Eu não conseguia gritar, mexer, fugir. Desespero. Enquanto uma mão rasgava minha blusa, a outra expunha o pau duro para fora da calça. Quis vomitar.
Sob o bafo dessas palavras, despertei. Reagi, tentei escapar. A força dele era o dobro: eu quis ter voz para morrer.
“Papai aqui vai te mostrar como se faz. Te foder toda. Te mostrar o que é um homem de verdade”.
Subjugou-me pela testosterona dobrada: forçou-me os joelhos ao concreto; forçou-me a boca ao pau ereto. Segurava-me pelos cabelos. Ia e voltava, com força, a cintura no meu rosto. Aquele chicote estalando na minha garganta. Os pelos do escroto roçando nos meus lábios.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Perdi as contas de quantas vezes sufoquei; de quantos tapas deferiu-me com aquelas mãos de monstro pelos desmaios que meu nojo ensaiou. Incansável. Só parou quando da minha voz saiu o vômito. Vômito que conheceu mais minha pele que o chão. Vômito que não interrompeu o animal; vômito que não o comoveu; vômito que não o impediu.
Arrancou minha saia. Jogou-me ao chão. Minhas bochechas esfoladas no asfalto. O corpo pesado daquele homem me esmagando. Aquelas mesmas mãos monstruosas forçando caminho entre as minhas pernas; aquele mesmo pau duro a me violar.Ao sangue do meu rosto arranhado, da minha boca cortada, juntava-se o sangue do meu sexo machucado. Escorria a resposta das minhas entranhas; traduzia em cor a dor que eu não conseguia gritar. O bafo daquele homem estranho, sua respiração descontrolada aos pés do meu ouvido. Aquela coisa asquerosa entrando e saindo de mim:
entrando
e
saindo;
entrando
e
saindo. Sob o meu pranto silencioso, o rosto desfigurado de tantas idas e vindas da pele naquele recorte duro de piche- o ritmo dos arranhões conduzidos pelo pau insaciável de um estranho. Além do choro, o sangue; além do sangue, o gozo. O gozo dele. Aquele sêmen todo a adoecer minhas partes; aquela porra a descer pelas minhas pernas: líquido branco, denso: morte.
Liberou seu peso sobre mim. Recolheu o pau murcho à braguilha fechada.
Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa.
Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali.
Dos procedimentos que se seguiram- o IML, os infinitos exames, as tonalidades e prescrições de cada caixa de remédio-, apenas participei do banho. Esfreguei minha pele com tanta fúria, com tanto nojo, como se a carne daquele homem não fosse se desprender nunca da minha – como se ele ainda estivesse ali. Não terminei enquanto outras nuances minhas, além da dor, tornaram-se expostas. Aquela noite me tornou uma pessoa quebrada: deixou a memória no corpo; usurpou a (c)alma.
Os únicos momentos em que eu recobrava a vida, para logo perdê-la, afloravam ao longo do sono. O chão áspero, o pau duro, o nojo, o sangue, o gozo dele escorrendo pelas minhas pernas. Como se todo dia eu precisasse morrer um pouco mais. E morria. Pesadelos sem rosto – assumiam um novo a cada abrir de olhos. Todos se tornaram, assim, possíveis estupradores: o porteiro, os amigos, os vizinhos, meus irmãos. Enxergava em todos eles a mesma repulsa. Ninguém escapava ao meu medo; o medo não poupava sequer os Santos.
Em algum ponto, porém, estar morta tornou-se insustentável. Não havia o que fazer quanto ao meu homicídio – não acharam um nome a punir pelo estupro. A minha morte, contudo, desenrolava-se em outra: mamãe. A culpa, tão injusta em escolher suas vítimas, a atingiu, a adoeceu. Não foi por mim, portanto, que voltei – foi por ela. E, ao voltar, percebi que não só por ela eu deveria renascer, mas por todas. Por todas as mulheres. Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados e suas almas furtadas, mutiladas, assassinadas.
Por todas as mulheres estupradas ao percorrer o caminho entre a L2 e a UnB. Por todas as mulheres estupradas ao pegar uma van de Copacabana para a Lapa. Por todas as mulheres estupradas após serem intencionalmente drogadas por seus colegas de trabalho. Por todas as mulheres enganadas por seus ídolos e, por eles, estupradas coletivamente. Por todas as mulheres forçadas a transar com seus companheirxs- porque isso também é estupro. Por todas as meninas abusadas por familiares ou pessoas próximas. Por todas as mulheres e meninas que se calaram por medo, que não denunciaram, que se sentiram culpadas porque assim, desde sempre, foram ensinadas pela sociedade. Por todas as que não conseguiram carregar o peso dessa memória e encontraram, no suicídio, a única possibilidade de redenção. Por todas as mulheres que não renasceram; por todas as que sobreviveram; por todas as que, como eu, de alguma maneira, hão de sobreviver (e renascer).
Sobre as nuances do machismo
A história que segue é suja, densa – tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca: retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você.
Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar.
Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bolsa no chão. A chave do carro perdida na grama próxima. Eu não conseguia gritar, mexer, fugir. Desespero. Enquanto uma mão rasgava minha blusa, a outra expunha o pau duro para fora da calça. Quis vomitar.
“Vadiazinha. Piranha. Vou te comer sua patricinha. Fica quietinha. Se abrir a boca, te mato”
Sob o bafo dessas palavras, despertei. Reagi, tentei escapar. A força dele era o dobro: eu quis ter voz para morrer.
“Papai aqui vai te mostrar como se faz. Te foder toda. Te mostrar o que é um homem de verdade”.
Subjugou-me pela testosterona dobrada: forçou-me os joelhos ao concreto; forçou-me a boca ao pau ereto. Segurava-me pelos cabelos. Ia e voltava, com força, a cintura no meu rosto. Aquele chicote estalando na minha garganta. Os pelos do escroto roçando nos meus lábios.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Perdi as contas de quantas vezes sufoquei; de quantos tapas deferiu-me com aquelas mãos de monstro pelos desmaios que meu nojo ensaiou. Incansável. Só parou quando da minha voz saiu o vômito. Vômito que conheceu mais minha pele que o chão. Vômito que não interrompeu o animal; vômito que não o comoveu; vômito que não o impediu.
“Sua porca. Escrota. Tá com nojinho? Agora vai ver o que é bom”
Arrancou minha saia. Jogou-me ao chão. Minhas bochechas esfoladas no asfalto. O corpo pesado daquele homem me esmagando. Aquelas mesmas mãos monstruosas forçando caminho entre as minhas pernas; aquele mesmo pau duro a me violar.Ao sangue do meu rosto arranhado, da minha boca cortada, juntava-se o sangue do meu sexo machucado. Escorria a resposta das minhas entranhas; traduzia em cor a dor que eu não conseguia gritar. O bafo daquele homem estranho, sua respiração descontrolada aos pés do meu ouvido. Aquela coisa asquerosa entrando e saindo de mim:
entrando
e
saindo;
entrando
e
saindo. Sob o meu pranto silencioso, o rosto desfigurado de tantas idas e vindas da pele naquele recorte duro de piche- o ritmo dos arranhões conduzidos pelo pau insaciável de um estranho. Além do choro, o sangue; além do sangue, o gozo. O gozo dele. Aquele sêmen todo a adoecer minhas partes; aquela porra a descer pelas minhas pernas: líquido branco, denso: morte.
Liberou seu peso sobre mim. Recolheu o pau murcho à braguilha fechada.
“A princesinha tá toda fodidinha. Já quer mais, né, putinha? Delícia”
Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa.
Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali.
Dos procedimentos que se seguiram- o IML, os infinitos exames, as tonalidades e prescrições de cada caixa de remédio-, apenas participei do banho. Esfreguei minha pele com tanta fúria, com tanto nojo, como se a carne daquele homem não fosse se desprender nunca da minha – como se ele ainda estivesse ali. Não terminei enquanto outras nuances minhas, além da dor, tornaram-se expostas. Aquela noite me tornou uma pessoa quebrada: deixou a memória no corpo; usurpou a (c)alma.
Os únicos momentos em que eu recobrava a vida, para logo perdê-la, afloravam ao longo do sono. O chão áspero, o pau duro, o nojo, o sangue, o gozo dele escorrendo pelas minhas pernas. Como se todo dia eu precisasse morrer um pouco mais. E morria. Pesadelos sem rosto – assumiam um novo a cada abrir de olhos. Todos se tornaram, assim, possíveis estupradores: o porteiro, os amigos, os vizinhos, meus irmãos. Enxergava em todos eles a mesma repulsa. Ninguém escapava ao meu medo; o medo não poupava sequer os Santos.
Em algum ponto, porém, estar morta tornou-se insustentável. Não havia o que fazer quanto ao meu homicídio – não acharam um nome a punir pelo estupro. A minha morte, contudo, desenrolava-se em outra: mamãe. A culpa, tão injusta em escolher suas vítimas, a atingiu, a adoeceu. Não foi por mim, portanto, que voltei – foi por ela. E, ao voltar, percebi que não só por ela eu deveria renascer, mas por todas. Por todas as mulheres. Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados e suas almas furtadas, mutiladas, assassinadas.
Por todas as mulheres estupradas ao percorrer o caminho entre a L2 e a UnB. Por todas as mulheres estupradas ao pegar uma van de Copacabana para a Lapa. Por todas as mulheres estupradas após serem intencionalmente drogadas por seus colegas de trabalho. Por todas as mulheres enganadas por seus ídolos e, por eles, estupradas coletivamente. Por todas as mulheres forçadas a transar com seus companheirxs- porque isso também é estupro. Por todas as meninas abusadas por familiares ou pessoas próximas. Por todas as mulheres e meninas que se calaram por medo, que não denunciaram, que se sentiram culpadas porque assim, desde sempre, foram ensinadas pela sociedade. Por todas as que não conseguiram carregar o peso dessa memória e encontraram, no suicídio, a única possibilidade de redenção. Por todas as mulheres que não renasceram; por todas as que sobreviveram; por todas as que, como eu, de alguma maneira, hão de sobreviver (e renascer).
Sobre as nuances do machismo
O estupro é um dos filhos bastardos do machismo. Bastardo porque deste herda os traços, mas não o reconhecimento. O machismo é a raiz podre que germina em solo Argiloso; é o início do espinho que emerge na Terra Roxa; é o calvário que se instala no Calcário. O machismo está em toda parte. Enraizado. Reproduzindo livremente seus podres frutos e alimentando, com eles, tradições e poderes apodrecidos. O machismo veste muitas cores, muitas modas, muitos nomes. O machismo é a nossa crítica à saia curta e ao decote; o machismo é a nossa repulsa à puta e concomitante glorificação do conceito menina-santa-songa-monga. O machismo é a crucificação do aborto travestido de religião; é , também, a proibição da ordenação da mulher. O machismo é árvore de muitos galhos.
O machismo não me deixa jogar bola, porque futebol é coisa de homem; não me deixa conduzir um carro, porque mulher no volante é barbeira; não me deixa ser a capa de um jornal de finanças, sorridente e bem sucedida, porque esse papel milenarmente cabe, tão somente, ao homem (branco). O machismo não deixa que eu me expresse, que eu marche pelos meus direitos, que eu exponha meu corpo como eu quiser.
O machismo não deixa que eu escolha minha foda, a minha companheira no lugar de companheiro – se quero ou não ter filhos. O machismo não me deixa ser mãe solteira. O machismo não deixa que ela ganhe mais que ele ou que ele cuide da casa e auxilie-a nas responsabilidades domésticas. O machismo não deixa que a mulher seja o que é: forte. Ele tenta o tempo todo submetê-la à obediência, à submissão, à resignação.
O machismo, contudo, sabe ser generoso – abre “exceções”. O machismo permite objetificar o corpo da mulher para que seja essa a imagem impulsionadora das vendas de carros e de cervejas. Permite ao marido ser convocado em propagandas toscas de rádio a bancar o consumismo clichê feminino – resume a mulher ao crédito. Permite e reforça a exigência das curvas sempre exatas, da roupa comportada, das unhas feitas, do cabelo liso e escovado. Permite que o cavalheirismo seja visto como gentileza dele e o sexo como obrigação servil dela. Permite que ele faça da infidelidade um estilo de vida e do pênis um instrumento de reconhecimento e poder. O machismo permite que a apologia ao estupro em uma recepção de vestibular seja vista como um caso isolado de “dois babacas” dessintonizados com o curso e não como um problema institucional que ultrapassa os muros da Universidade- o espaço acadêmico hodiernamente (e infelizmente) ainda reproduz, sem a necessária reflexão, os ecos e ensinamentos que vêm de antes, que vieram e vêm lá de fora. O machismo permite que a hipocrisia se diga moral e, em um cuspe, agrida as mulheres que marcham por um necessário despertar; permite, inclusive, normatizar o estupro, assegurando, àquele líquido branco, a hospedagem no útero, sem questionar a existência de um prévio aceite: se ela disse sim ou se disse não, para o machismo, tanto faz.
Engana-se quem pensa ser o machismo opressor apenas do feminino. Senhor feudal, pai, filho e herdeiro das tradições e do conservadorismo, o machismo é poder corrupto e mecanismo de exclusão que se pretende perpétuo. É em nome dele e por ele que se prega e legitima o homem branco como “the choosed one” para dominar a tudo e a todos.
É em nome dele e por ele que se máscara o fundamentalismo de democracia e a intolerância de religião. É ele quem dilata as nossas glotes e permite um indigesto Feliciano ter sido Presidente da Comissão de Direitos Humanos. É ele que impede o Ministério da Saúde de veicular uma campanha em que afirma que prostituta também é gente e é gente feliz. É ele quem veta um kit que prega o respeito e a compreensão da sexualidade que escapa aos padrões normativos, mas permite e incentiva, com recursos públicos, a distribuição de uma cartilha que não contente em veicular a homofobia, relativiza o estupro, personificando o gozo do estuprador em uma vida a ser protegida. É ele que condena as rupturas, que agride àquela que se insurge contra o sistema, que demoniza quem ataca seus símbolos.
É em nome dele e não de Deus que se pratica o racismo, a homofobia, o feminicídio, a opressão de classes. É ele quem cerceia com normas, padrões e pecados intransigentes o próprio existir dos sujeitos.
Não sejamos ingênuos nem tenhamos piedade com quem nunca nos poupou. Não se combate o machismo com afagos na cabeça e conversas baixas. Não se combate o machismo com a manutenção dos símbolos nem com o silêncio de quem a tudo assiste inerte e, assim, consente. Não se combate o machismo marchando em fila indiana e batendo continência para a hipocrisia. É preciso peito. Esteja ele nu ou pintado – a coragem de impô-lo traduz-se na ausência de panos, sem temer o pudor do moralismo alheio. Não existe paz sob a regência do medo. Não existe democracia quando a metade do povo, dita ironicamente de minoria – cracia-, é feita de demo indialogável e invisibilizado pelas bandeiras monocromáticas do branco classe média hétero “religioso”. É muito fácil criar pecados e interpretar de maneira viciada o calçado do Outro, difícil é dispor-se à alteridade de enxergá-lo para além dos estigmas e da herança dos frutos podres que desde cedo nos são dados como alimento e como instrução.
Que o senso comum, a homofobia, o racismo, o feminicídio, a opressão de classes, a xenofobia, que todos esses rostos do machismo se tornem, a cada dia mais, os verdadeiros outsiders. Sejam eles os deslocados, os excluídos, os eliminados. Que a gente desperte os sentidos e a vontade para entender e enfrentar o verdadeiro inimigo e seu exército de formas, linguagens, poderes, pessoas. Que a nossa revolução comece em nós mas em nós não termine e não se contenha; que se expanda, que invada a rua, o comércio; que barulhe os ouvidos até que seja verdadeiramente escutada, sentida, pensada.
Há muito para fazer: há um tanto de dureza e concreto para demolir. Os caminhos, contudo, estão aí, abertos. Há um incômodo com potência para ser mudança. Há gente muito boa na rua pronta para o novo. Que a gente não perca o embalo e nem a coragem e, se por ventura, faltar o norte, que a gente tenha o gosto do nojo na memória: aquele líquido branco banhado de sangue e de pranto – gozo egoísta, monstruoso
domingo, 9 de junho de 2013
Como você se sente?
Apenas uma pergunta, que pode demonstrar interesse, empatia... Isso faz toda a diferença para quem é perguntado. Saber que o outro se importa ou perceber a clara oportunidade de falar sobre suas emoções pode fazer "milagres". Isso nós já sabíamos. O interessante é ver o resultado de recente pesquisa feita nos Estados Unidos corroborando esse conhecimento empírico.
"O simples ato de descrever um sentimento como a raiva pode afetar positivamente a resposta fisiológica do organismo a ele. É o que mostra um estudo publicado nesta quarta-feira, no periódico Plos One.
"O simples ato de descrever um sentimento como a raiva pode afetar positivamente a resposta fisiológica do organismo a ele. É o que mostra um estudo publicado nesta quarta-feira, no periódico Plos One.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: The Effects of Measuring Emotion: Physiological Reactions to Emotional Situations Depend on whether Someone Is Asking
Onde foi divulgada: periódico Plos One
Quem fez: Karim S. Kassam e Wendy Berry Mendes
Instituição: Universidade Carnegie Mellon e Universidade da Califórnia, São Francisco, EUA
Dados de amostragem: 102 moradores da cidade de Cambridge, nos EUA
Resultado: Os participantes que foram levados a sentir raiva e depois responderam um questionário sobre seus sentimentos apresentaram um aumento menor dos batimentos cardíacos, em comparação àqueles que responderam o questionário neutro
A pesquisa foi realizada com 102 moradores da cidade de Cambridge, nos Estados Unidos. Os participantes tiveram que cumprir uma difícil questão matemática, acompanhados por um instrutor. Esse instrutor foi orientado a falar com os participantes sobre suas performances de modo a deixar parte deles sentindo raiva e o restante, vergonha. No final, parte dos participantes respondeu a um questionário sobre seus sentimentos e o restante, a outro com perguntas neutras e sem relação com estado emocional.
Entre as pessoas que sentiram raiva, aquelas que responderam a perguntas sobre seus sentimentos apresentaram uma resposta fisiológica (avaliada na mudança de frequência cardíaca) diferente de quem respondeu a questões neutras. A resposta natural do corpo ao sentimento de raiva provoca o aumento da frequência cardíaca e eleva o fluxo de sangue ao cérebro e aos principais músculos do corpo. Porém, os participantes do estudo que sentiram raiva, mas que se expressaram a respeito de seus sentimentos, apresentaram um aumento menor dos batimentos cardíacos em comparação àquelas que responderam o questionário neutro.
As pessoas que foram levadas a sentir vergonha, porém, não apresentaram diferenças fisiológicas significativas.
Para os autores, os resultados mostram que perguntar às pessoas sobre suas emoções pode ter um impacto significativo em sua resposta fisiológica, e esse impacto depende do tipo de sentimento que está sendo vivenciado no momento. “Efeitos de medição existem nas ciências – o ato de medir alguma coisa frequentemente modifica propriedades daquilo que está sendo medido. Nós sugerimos que emoções não são uma exceção”, escrevem os autores no artigo que descreve os resultados obtidos.
Karim Kassam, um dos autores do estudo, conta que, para ele, o mais impressionante foi como uma ação tão simples pôde causar um impacto significativo. “Nós só perguntamos às pessoas como elas estavam se sentindo e isso teve um impacto considerável em sua atividade cardiovascular”, afirma."
Fonte: Veja
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Solidão a dois.
Já dizia o poeta....
E de repente você olha em
volta e se vê só. Mas só apenas na alma....
Existem várias pessoas ao seu redor, várias pessoas povoando a sua vida,
várias pessoas compartilhando algo.....
Mas e daí? Você está só....
Tudo começa devagarzinho.... Sem você perceber, vem e toma conta. Estar solitário mesmo se relacionando com
pessoas é mais comum do que se possa imaginar.
Em um relacionamento amoroso então, nem se fala! Muitas vezes por medo de ficar sozinhas, as
pessoas continuam mantendo uma relação que já não fala mais ao coração. Muitos se perguntam: “Ficar sozinho à essa
altura do campeonato?”; “Começar tudo de novo?”; “Como encontrar alguém nesse
mundo?”; “Ir pra balada novamente?”; Não tenho mais paciência pra isso.....”.
Realmente, “tudo muda o
tempo todo no mundo”e por isso mesmo, ou pela dificuldade em aceitar as mudanças que a
vida naturalmente nos impõe, é que ficamos sós ainda que acompanhados.
Quantas vezes já estivemos
em uma relação ou soubemos de conhecidos que permanecem em uma relação tentando
resgatar aquela paixão do início do relacionamento? Incontáveis vezes.... Acontece que aquela paixão já foi, até porque
aquele “nós”já foi também.
É fundamental que possamos
aceitar que nossos relacionamentos mudem com o passar dos tempos tendo em vista
que nós mudamos também! E, nesse ínterim, reaprendermos a nos amar e amar ao outro também a cada dia. Só que por vezes
é bastante complicado aceitar as próprias mudanças. E talvez essa pessoa
diferente que nos tornamos a cada instante seja justamente àquela que queremos
evitar fugindo do contato conosco, fugindo de ficarmos a sós conosco, fugindo dessa intimidade. Estamos em transformação a cada momento de nossas vidas. Pra melhor?
Pra pior? Não dá pra saber se não
experimentarmos a mudança, se não arriscarmos.
A única certeza (por vezes veementemente negada) é a de que somos potencialmente
diferentes a cada dia.
E aí então lutamos contra as
evidências do dia a dia para manter a ilusão; ilusão de estarmos em um
relacionamento afetivo satisfatório, ilusão de estarmos nos relacionando
verdadeira mente com nossos parentes, amigos.
Tudo bem, somos livres para escolher a vida que desejamos ter, ou pelo
menos o modo de levar nossa vida, mas há um preço a se pagar. Nesse caso o preço é a solidão a dois; a
forma mais dolorida de se viver esse sentimento. Porque quase sempre vem
carregada de mágoas, decepções e muitas vezes também por um sentimento de
desadaptação e fracasso recheado de pensamentos automáticos disfuncionais a cerca de si e
do mundo que só fazem nutrir crenças e esquemas desadaptativos, que por sua vez
vão gerar mais pensamentos disfuncionais, mais solidão, mais fracassos em
relacionamentos e assim por diante.
Amor? Sexo? Necessidade?
Carência? Comodismo? Companheirismo? Parceria? Medo? O que mantém sua relação?
Como quebrar esse ciclo
vicioso? Em princípio pode parecer muito
difícil, impossível até. Mas com o
autoconhecimento, na medida da reformulação de suas crenças a cerca de si mesmo e
do mundo, com a ampliação da capacidade de auto gerenciamento e autorregulação
de suas vontades, com a conscientização do seu funcionamento e como
transformá-lo, é possível enxergar sim uma saída no sentido da reconfiguração
dessa maneira de se relacionar.
Aí então, e só aí, a solidão
pode ser até mesmo ser uma escolha!
domingo, 19 de maio de 2013
Trabalho X Pânico
Se você se identificar de alguma forma com uma dessas histórias abaixo, CUIDE -SE! O Pânico, a Depressão, a Síndrome de Burnout podem ser incapacitantes, mas há como evitá-los ou pelo menos ficar atento aos indicativos dos exageros no trabalho que podem levar ao surgimento dessas patologias.
Procure um Psicólogo.
"Paulo tinha acabado de assumir a posição de Gerente Financeiro de uma grande empresa. Passados menos de três meses, dado o stress em que se encontrava, uma certa manhã quando chegou na empresa para trabalhar e estacionou seu carro, travou. Simplesmente não conseguia sair do carro, nem mesmo tirar as mãos do volante. Ficou lá quase uma hora, até que notaram que havia algo de errado com ele. Foi removido por paramédicos, medicado e afastado do trabalho. Duas semanas depois, pediu demissão.
Márcia era gestora de uma empresa de serviços. Seu ritmo de trabalho aumentou significativamente depois de uma fusão com outra empresa. Certo dia, Márcia surtou. Largou bolsa aberta, computador ligado, chaves do carro em cima da mesa, agenda e tudo mais. Pegou o elevador e saiu vagando pela rua, no meio dos carros, em uma grande avenida de São Paulo. Foi acudida por colegas, que viram que algo não estava bem. Pouco tempo depois, deixou a empresa.
José é médico. Durante o período em que trabalhou em Porto Alegre, estava numa das fases profissionais mais intensas de sua vida. Um dia, no meio do ritmo alucinado de plantões, atendimentos e grupos de estudo, se sentiu mal no final da tarde, com um pouco de febre. Cancelou suas atividades naquela noite e foi para a cama. Dia seguinte, acordou ótimo. Trabalhou intensamente o dia todo, e no final da tarde, febre e mal-estar novamente. No terceiro dia seguido dos mesmos sintomas, foi procurar ajuda. Descobriu que estava com leptospirose, mas seu ritmo o havia impedido de perceber sintomas em si mesmo que seriam relativamente óbvios para um médico. Mudou drasticamente o ritmo, se tratou, saiu de Porto Alegre.
Claudia era representante de vendas e estava no auge de uma temporada muito concorrida de metas e desafios. Foi ao banco para sacar dinheiro depois de um dia especialmente difícil. Saiu do banco, entrou no carro e… branco total. Não conseguia lembrar onde era sua casa, qual seu telefone, qual o celular do marido. Ficou dentro do carro, soluçando, muito nervosa. Horas depois, o marido ligou preocupado para o celular dela e notou que nada estava bem. Com jeito e cuidado, começou a perguntar onde ela estava, o que tinha à sua volta, etc. Conseguiu encontrá-la e foram para casa. Dia seguinte, médico, medicação tarja preta e afastamento do trabalho por meses. Algum tempo depois, mudou de emprego.
Bernardo era gerente de uma empresa do segmento de entretenimento do Sudeste. 2ª feira de manhã, chegando em Congonhas com seu chefe para uma bateria de reuniões, desabafou nervosamente que precisava muito ir ao banheiro (para o “número 2”), pois se não fosse naquele momento, não iria mais. Na verdade, ele só ia ao banheiro uma vez por semana, na 2ª feira de manhã…
Todas as histórias acima são absolutamente verdadeiras. Apenas troquei os nomes, segmentos de atuação das empresas e eventuais localidades, para proteger a anonimidade de seus protagonistas. São testemunhais que mostram aonde podemos chegar com o desequilíbrio causado pelo trabalho, com o stress, com a ansiedade excessiva, com o descontrole, com o pânico.
Trabalho deve ser fonte de satisfação, de renovação, de crescimento, de aprendizado, de remuneração. O trabalho nos faz melhores, úteis, atuantes. Nos molda, nos direciona, nos socializa, nos impõe desafios, vitórias, derrotas, aprendizado. Uma vida com trabalho é uma vida melhor, mais produtiva, com mais significado. Mas quais os limites para o trabalho e seus excessos?
Me refiro aos limites humanos mesmo. A Sindrome de Burnout, descrita pelo médico americano Herbert Freudenberger em 1974, resume o quadro como esgotamento físico e mental. Burnout, em inglês, significa esgotamento, destruição total pelo fogo (segundo oMichaelis). Não tem jeito: chega um ponto em que todos nós, profissionais ensandecidos (mas seres humanos), podemos simplesmente ser apagados, como velas. Seja por defesa do organismo, seja por ultrapassagem total dos limites. O fato é que podemos pifar.
O stress tem um lado bom (eustress), que nos provoca, nos coloca na ponta dos cascos, nos estimula e nos põe em alerta. Neste cenário, somos mais produtivos. Mas há o lado ruim (distresse) que traz o cansaço, o esgotamento, o torpor, o isolamento, a baixa produtividade.
Temos, no cenário atual de mercados cada vez mais competitivos, duas dimensões fundamentais na seara corporativa relacionadas a este assunto: a dos profissionais e a das empresas.
Os profissionais precisam aprender a reconhecer seus limites, a buscar mais equilibrio entre sua vida pessoal e profissional, a cuidar da alimentação, a combater o sedentarismo, a criar tempo de qualidade com a família, a se desconectar da tecnologia fora do trabalho. Precisam ser mais produtivos no trabalho justamente para poderem ter mais tempo fora do trabalho. Ao buscarem este equilíbrio (que é muito difícil, e portanto, um desafio diário e perene), se renovam, descansam intelectual e fisicamente, e se tornam inclusive mais produtivos no trabalho. E um ciclo virtuoso pode se iniciar.
Já a perspectiva das empresas é dupla: primeiro pela necessidade de oferecer um ambiente minimamente saudável para seus colaboradores, que respeite os limites humanos e promova o equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida. Isto tem impacto na retenção e atração de talentos, a médio/longo prazo. Se a motivação não for verdadeira pelas pessoas, ou mesmo motivada por uma posição de destaque nos diferentes rankings de melhores empresas para trabalhar, que seja financeira. Pois é fato que as empresas estão perdendo dinheiro ao passarem do ponto de exigência de seus colaboradores. Os custos são crescentes e ligados a afastamentos médicos, absenteísmo, presenteísmo (baixa produtividade de quem está ativo no trabalho), turnover, custos de treinamento, custos de atração de novos profissionais, passivos trabalhistas, majoração de custos variáveis como o SAT e os planos de saúde corporativos, entre outros.
Assunto espinhoso este do stress, quando analisado pela perspectiva do excesso, do abuso, dos limites ultrapassados. Muito se fala em qualidade de vida e bem estar, dentro de uma ótica de mimos ou objetos decorativos nos ambientes das empresas para desestressar os colaboradores. Mas é preciso ir muito além disso. Precisamos de iniciativas e estratégias sustentáveis dentro das empresas, de políticas reais e valorizadas pelas organizações, de respeito rotineiro, tangível e sustentável pelos profissionais, pelas pessoas.
Para que os Paulos, Márcias, Josés, Claudias, Bernardos e tantos outros, de tantas outras historias e testemunhais que sigo coletando sobre o tema, possam ter no trabalho a realização, a remuneração, o respeito e o resultado que merecem.
Em suas vidas profissionais e pessoais"
Fonte: Exame.com
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Transtorno do Pânico
Cada vez mais comum nos dias de hoje, o Transtorno de Pânico vem paralisando e trazendo enorme prejuízo a vida de milhares de pessoas.
Fique atento aos sintomas que podem se confundir com os de outros transtornos. O diferencial é que nada orgânico acontece com a pessoa acometida por esse transtorno que pode passar anos vagando por emergências hospitalares até que seja feito o diagnóstico acertado.
"O Transtorno ou Síndrome do Pânico caracteriza-se pela ocorrência de ataques de pânico inesperados e recorrentes.
Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos. Os mais comuns são taquicardia, sensação de falta de ar, dificuldade de respirar, formigamentos, vertigem, tontura, dor ou desconforto no peito, despersonalização, sensação de irrealidade, medo de perder o controle, medo de enlouquecer, sudorese, tremores, medo de desmaiar, sensação de iminência da morte, náusea ou desconforto abdominal, calafrios ou ondas de calor, boca seca e perda do foco visual."
O Transtorno do Pânico tem tratamento.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Fobia Social; O que é, sintomas e tratamentos.
Fique atento.... Timidez excessiva pode ser sinal de um transtorno de ansiedade cada vez mais diagnosticado.
Fobia Social é o excesso de ansiedade ou medo sofrido por certas pessoas quando observadas por terceiros durante o desempenho de alguma tarefa comum como falar, comer, dirigir, escrever, por exemplo; a ponto de impedir ou prejudicar significativamente a realização dessa tarefa.
A Fobia Social portanto não pode ser identificada sem seu estímulo, sem a circunstância social, sem a situação desencadeante porque a definição de exagero depende do referencial.
Além da desproporcionalidade há também outro critério: a duração da ansiedade. Uma pessoa sem fobia que irá apresentar-se perante uma platéia ficará tensa, contudo esta tensão depois de uns 15 minutos passa, e o palestrante adquire confiança e segurança. Com o fóbico social isso não acontece, os sintomas de ansiedade permanecem ou podem até aumentar durante a exposição, com isso o paciente acaba interrompendo sua dissertação, diz que está sentindo-se mal, ou simplesmente abandona o local numa verdadeira fuga, sem dar nenhuma satisfação.
Normalmente os sintomas se relacionam com o foco da fobia. Por exemplo, sendo o foco falar com o chefe ou perante uma platéia o fóbico social pode não conseguir falar nada. Sendo para escrever suas mãos podem ficar trêmulas a ponto de impedir que se escreva, a menos que encontre um lugar onde possa escrever ou assinar sem ser observado. Quando o paciente vê que as pessoas perceberam sua ansiedade (e ele sempre acha que percebem) o grau de tensão se eleva enormemente alimentando ainda mais a ansiedade. Os sintomas específicos costumam ser acompanhados por sintomas inespecíficos como palidez ou ruborização, taquicardia, sudorese profusa, extremidades frias, tremores, tonteiras, enjoo e outros sintomas ligados a descarga adrenérgica. Não é raro o paciente ter uma crise de pânico se insistir em enfrentar o problema por suas próprias forças, ou quando foi pego de surpresa.
Na Fobia Social não existem fases, ela tende a ser a mesma durante todo o tempo desde o início da manifestação, pequenas mudanças podem ser observadas como o surgimento de um novo foco da fobia (antes era só para falar, agora para escrever também), ou quanto ao sintoma dominante, antes o que mais sentia eram tremores, agora a sudorese é mais intensa que os tremores por exemplo.
Os fóbicos sociais sempre sabem que têm algo diferente da maioria das pessoas, mas não sabem que se trata de um transtorno, muito menos que tem tratamento, senão a atitude deles seria diferente.
A partir dos grupos sociais com que convive começa a perceber que é "tímido" demais, é considerado o "bonzinho" do grupo, o que nem sempre condiz com o que se deseja. A partir daí o paciente começa a desconfiar de que sofre algum problema.
Como a ansiedade é sempre uma sensação desagradável costuma levar a pessoa um comportamento direcionado para a resolução do problema. Assim o fóbico social tende a observar as pessoas em volta e percebe que seus sentimentos de vergonha ou temor de ser observado estão exagerados. Se for uma Fobia leve, ele interpretará como timidez, se for grave ele irá buscar ajuda. Quando não o faz começa a aceitar-se com é, gerando sentimentos de inferioridade e submissão. O fóbico social sempre reconhece seu valor e sua capacidade, sabe que é tão bom ou até melhor em certas funções que seus colegas, mas na hora de manifestar sua ideia se sente inábil, sente que prejudicará sua imagem. Com o tempo pode passar a não manifestar-se nem pelo que é justo, apenas a aceitando o que é determinado ou imposto.
A Fobia Social começa de forma muito discreta, dificilmente os pacientes apontam uma data ou evento a partir de quando começou, ao contrário do Transtorno do Pânico. Isto na maioria das vezes ocorre no início da idade adulta, quanto a personalidade e os traços de comportamento estão em fase final de consolidação. Talvez por isso muitos fóbicos sociais tendem a achar que seu problema é algo que faz parte de "seu jeito de ser", ou de sua personalidade. Não há unanimidade quanto diferença de incidência por sexo. Alguns estudos apontaram uma predominância no sexo masculino mas isto não foi sempre confirmado, de maneira que ainda não há uma posição definida.
As crianças também podem ser atingidas pela Fobia Social, a manifestação é igual a do adulto. A melhor maneira de ajudar é compreendendo-a em sua limitação, sem cobranças ou exigências relacionadas ao seu problema.
Os familiares e amigos geralmente percebem submissão, vergonha ou timidez do fóbico social, mas por assemelhar-se muito ao comportamento normal, as pessoas próximas não desconfiam que o fóbico social está sendo vítima de um transtorno de ansiedade. A Fobia Social por sua própria natureza faz com que o paciente não se queixe de seu problema, esconda-o, culpe-se por eles e isole-se em sua dor incompreendida. Quando a Fobia Social prejudica a rotina de um familiar muitas vezes é considerada exagero ou "frescura", algo que a pessoa não muda porque não quer.
A família e os amigos podem ajudar o fóbico social, basta que sejam compreensíveis, aceitem bem o problema, e como no caso da criança, não crie exigências que o paciente não possa atender. Isto é suficiente.
Apesar de ser um problema "aparentemente" pequeno, as consequências do não tratamento podem ser dramáticas levando graves prejuízos a vida pessoal, profissional e acadêmica dos pacientes como por exemplo a não conclusão de cursos por medo da apresentação de um trabalho de monografia ou a recusa de aceitar promoções no trabalho por colocar o paciente em situação de evidência naquele ambiente. Por começar no início da idade adulta, a Fobia Social se não for tratada levará a consequências para o resto da vida, porque neste período são tomadas as decisões que direcionarão a vida de cada um.
Até o momento o tratamento medicamentoso e a terapia cognitiva comportamental são as melhores indicações.
A terapia comportamental exerce um descondicionamento gradual das situações fóbicas, expondo de forma controlada o paciente ao estímulo fóbico, a fim de dessensibiliza-lo.
Fonte:Psicosite
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Solidão Amiga
Fantástico texto de Rubem Alves!!!!!
| A solidão amiga |
A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...
Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.
Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.
Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.
Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:
“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.
Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“
E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“
Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.
E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:
“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“
Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.
O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...
A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.
Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.
(Correio Popular, 30/06/2002)
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sábado, 23 de junho de 2012
O Psicopata.
Sabe aquela pessoa que acha que pode passar
a frente de todos por que não haverá problema algum? Ou aquela pessoa que fura
filas simplesmente por achar que ficar esperando não e pra ela? Ou então que passa por cima de um colega de
trabalho sem o menor escrúpulo por que afinal de contas o mundo corporativo e
assim mesmo selvagem? Pois e... Fique atento, você pode estar perto de alguém
com transtorno de personalidade antissocial, vulgo psicopata.
A psicopatia é um distúrbio mental grave
caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos,
frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação ,egocentrismo, falta de remorso e culpa para
atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar de a psicopatia
ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as
mulheres, em variados níveis, embora com características diferenciadas e menos
específicas.
A psicopatia parece estar relacionada a
algumas importantes disfunções cerebrais, sendo importante considerar que um só
único fator não é totalmente esclarecedor para causar o distúrbio; parece haver
uma junção de componentes. Embora alguns indivíduos com psicopatia mais branda
não tenham tido um histórico traumático, o transtorno - principalmente nos
casos mais graves, tais como sádicos e serial killers - parece estar associado à mistura de
três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou traumas
neurológicos, predisposição genética e traumas sociopsicológicos na infância
(ex, abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos e
separação dos pais etc.). Todo indivíduo antissocial possui, no mínimo, um
desses componentes no histórico de sua vida, especialmente a influência
genética. Entretanto, nem toda pessoa que sofreu algum tipo de abuso ou perda
na infância se tornara um psicopata; há de se considerar desde a genética,
traumas psicológicos e disfunções no cérebro (especialmente no lobo frontal e
sistema límbico)
Por se tratar de um transtorno de personalidade, o distúrbio tem
eclosão evidente no final da adolescência ou
começo da idade adulta, por volta dos 18 anos e geralmente acompanha por toda a
vida, porem aos 6/7 anos de idade uma criança já pode apresentar alguns
sintomas como crueldade com animais e colegas, mentiras excessivas, condutas
desafiadoras a figuras de autoridade (pais, professores) e falta de vergonha ou
constrangimento quando pegos em flagrante com mentiras. Há que se ter bastante cuidado na avaliação
de uma criança pois alguns destes sintomas estão presente também em outras
psicopatologias que nada tem a ver com transtornos de personalidade.
Algumas características e mitos.
Os
psicopatas costumam ser egocêntricos, desonestos. Com freqüência adotam
comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se
divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa; nos
relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm
desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente
aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.
Apesar
das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o
conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que
todos os psicopatas são violentos
O
segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos
casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato
com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem
muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade,
mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os
psicóticos raramente são psicopatas.
O
terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que
é um problema sem tratamento. Embora os psicopatas raramente se sintam
motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer
Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem
se beneficiar da psicoterapia também. E de fato muito difícil mudar
comportamentos psicopatas, porem a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar
regras sociais e prevenir atos criminosos, principalmente quando levados
a um tratamento na infância. Não custa tentar....
De
maneira geral podemos identificar dois tipos de psicopatas: os ditos “comunitários”
ou de grau leve e os do tipo “antissocial” ou de grau moderado a grave.
Os
primeiros, que são os mais comuns, são os mais difíceis de serem diagnosticados porque tendem a
se passar despercebidos no ambiente social. Muitas vezes estão ao lado de todos
e ninguém consegue perceber isto. Eles podem ser desde um falso colega
oportunista que vive se fazendo de vítima, até trapaceiros, parasitas sociais,
políticos, empresários e religiosos. Esse psicopata raramente vai para a
cadeia, mas quando esses indivíduos - por algum motivo ilícito - vão para a
prisão, são tidos como presos "exemplares" pelo seu bom
comportamento: são muito bem vistos, comportados, não arranjam confusões e
dissimulam uma aparência de inocentes, a ponto que outros presos e seguranças
não consigam acreditar que aquela pessoa tão calma pôde cometer algum crime. Comumente
foram crianças com grande charme superficial, encantavam facilmente adultos
pela sua aparência de docilidade, entretanto, já apresentavam traços de frieza,
insensibilidade, e intolerância à frustração - que podem ser evidentes em
condutas como maltratar coleguinhas, animais, mentir etc.
Já o psicopata de grau moderado a grave corresponde àqueles
que satisfazem quase ou todos os critérios do DSM do transtorno de personalidade
antissocial . Esses psicopatas têm uma alta tendência a se enquadrarem por
exemplo, na categoria serial killers A
maioria apresenta as mesmas características do psicopata comunitário,
entretanto apresentam condutas que os colocam contra à sociedade em geral
fazendo com que sejam mais facilmente inseridos no meio carcerário. São menos freqüentes,
porem eles são aqueles que estão mais facilmente vulneráveis a delitos graves e
chocantes. Podem estar mais infiltrados no meio das drogas, álcool, jogo
compulsivo, direção imprudente, vadiagem e promiscuidade e vandalismo, além de
grandes golpes e graves estelionatos. Obtêm prazer (principalmente sexual) ao
ver o sofrimento de outra pessoa e são indivíduos excessivamente problemáticos,
do ponto de vista emocional. Em contraste a essas características, de modo
semelhante ao psicopata comunitário, podem apresentar-se como uma pessoa normal
perante os outros e a sociedade, contudo, escondem uma personalidade muito mais
sombria - esta ocasionalmente visível para familiares, por exemplo, onde o
ambiente é marcado por discussões frequentes. É comum nessas pessoas, um
histórico de doenças neuropsiquiátricas como depressão,
déficit de atenção, transtornos de ansiedade ou outros distúrbios de
personalidade, além de um persistente sentimento de vazio existencial e tédio,
o que os faz buscarem constantes estímulos - inconstantes, enjoam de tudo
facilmente, por isso sempre procuram algo novo e diferente para fazerem; mas
possuem dificuldade em terminar o que começam. Entretanto,
parece que desde criança, apesar desse vazio sentimental, eles conseguem
"imitar" as emoções das outras pessoas (embora não as sinta de
verdade) a fim de conseguirem um ideal. Assim são suas emoções,
geralmente aparecem e desaparecem de forma súbita. Na infância,
esses indivíduos geralmente sofreram algum tipo de trauma significante o que
pode ser considerado agravante da psicopatia. Normalmente foram crianças mais
reservadas ou introvertidas, mas que, por vezes, apresentavam traços de
transtorno de conduta. Mesmo que não demonstrem
socialmente, a característica principal da psicopatia é um forte traço narcisista enraizado na
personalidade, podem demonstrar características megalomaníacas.
Critérios pelo DSM-IV-TR para transtorno de personalidade antissocial (F60.2/301.7)
- A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
- 1.Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
- 2.Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
- 3.Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas; porém, paradoxalmente, têm fama e geralmente agem de forma bem comportada. 4.Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
- 5.Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
- 6.Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
- 7.Comportamento sexual exacerbado e inadequado, via de regra com vários parceiros, sem nenhuma ligação afetiva;
- 8. Agressividade contra animais domésticos;
- 9. Desrespeito e desprezo por ambientes familiares;
- B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
- C. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
- D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.
Vale dizer que, embora tecnicamente o psicopata seja sinônimo do
transtorno de personalidade antissocial, nem sempre os psicopatas (principalmente
os mais comuns) apresentam todas esses critérios.
Entretanto, em contraste com tais
características, um ponto muito comum entre todos os psicopatas é o ambiente
intrafamiliar marcado por diversos e extensos conflitos; todo psicopata tem um
ambiente familiar conturbado, permeado por constantes discussões e brigas
Características resumidas e
curiosidades
§ Para cada 25 pessoas, 1 ao menos exibe traços psicopáticos;
§ Para cada 3 homens psicopatas, 1 mulher é psicopata;
§ Podem ter uma autoestima ou visão de si próprios elevada;
§ Frequentemente são autossuficientes e vaidosos;
§ Muitas vezes exibem um encanto superficial, são sedutores e conquistam
facilmente as outras pessoas;
§ Possuem dificuldade em manter relacionamentos, embora consigam
estabelecer facilmente;
§ É comum a necessidade de ter autoridade: são pessoas que necessitam
estar sempre no comando ou poder, detestam serem comandados ou submissos;
§ Frequentemente possuem tendências sádicas;
§ Frequentemente são muito manipuladores, manipulam pessoas, ambientes e
circunstâncias a seu favor;
§ Não possuem sentimentos de culpa ou arrependimento;
§ Geralmente são frios, raramente demonstrando algum tipo de afetividade
mas quando demonstram, é superficial;
§ Podem ser inconstantes, detestar rotina e monotonia e enjoar fácil de
tudo;
§ Frequentemente irresponsáveis: tendem a jogar culpa sempre nos outros,
não se responsabilizam pelas próprias condutas.
§ Falta de metas a longo prazo ou mudanças constantes de metas;
§ Tendem a ser infieis e seus relacionamentos íntimos geralmente não são
duradouros;
§ Podem possuir vida dupla: socialmente sendo pessoas exemplares, mas com
pessoas da intimidade se mostrarem totalmente diferentes;
§ Bastante críticos em relação a moralidade e ética. Para eles,
"regras foram feitas para serem quebradas" e "os fins justificam
os meios";
§ Frequentemente psicopatas se dão bem em entrevistas de empregos,
manipulam as pessoas e conquistam a confiança de todos facilmente no ambiente
de trabalho;
§ Geralmente acham que estão certos e que seu estilo de vida é o mais
adequado.
§ Expressam pouco ou nenhum amor, afetividade, carinho etc. Nem mesmo por
filhos, pais, parentes, cônjuge ou amantes.
§ Geralmente são pessoas com sorrisos fáceis, amáveis quando lhe convêm e
absolutamente frias quando julgam necessário;
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