quinta-feira, 24 de maio de 2012

Difícil Aprender?


Sobre as dificuldades de aprendizagem - Um lembrete...




A área da educação nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os alunos paralisados diante do processo de aprendizagem, assim são rotulados pela própria família, professores e colegas.
É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo.
As dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.
A dificuldade mais conhecida e que vem tendo grande repercussão na atualidade é a dislexia, porém, é necessário estarmos atentos a outros sérios problemas: disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).


- Dislexia: é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam que sua causa vem de fatores genéticos, mas nada foi comprovado pela medicina.
- Disgrafia: normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e inversões de letras, consequentemente encontra dificuldade na escrita. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.
- Discalculia: é a dificuldade para cálculos e números, de um modo geral os portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem sequências lógicas. Esse problema é um dos mais sérios, porém ainda pouco conhecido.
- Dislalia: é a dificuldade na emissão da fala, apresenta pronúncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.
- Disortografia: é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como consequência da dislexia. Suas principais características são: troca de grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.
- TDAH: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um problema de ordem neurológica, que traz consigo sinais evidentes de inquietude, desatenção, falta de concentração e impulsividade. Hoje em dia é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados como DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), porque apresentam alguma agitação, nervosismo e inquietação, fatores que podem advir de causas emocionais. É importante que esse diagnóstico seja feito por um médico e outros profissionais capacitados.
Professores podem ser os mais importantes no processo de identificação e descoberta desses problemas, porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos, psicólogos e psicopedagogos. O papel do professor se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas, não rotulando o aluno, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades

 Fonte: Brasil Escola

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um papo sobre Alzheimer


A Doença de Alzheimer 





Histórico da Doença

Alois Alzheimer, médico alemão que viveu entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, publicou, em 1907, o artigo A characteristic serious disease of the cerebral cortex, em que apresenta os achados clínicos e anatomopatológicos de um caso peculiar. Auguste D. foi atendida inicialmente aos 51 anos, quando passou a apresentar sintomas delirantes (ciúmes intensos) em relação ao marido. Alterações de linguagem e de memória, além de desorientação no tempo e no espaço instalaram-se logo em seguida, com piora progressiva. A paciente faleceu quatro anos e meio após o início dos sintomas, em estágio avançado de demência, e foi submetida a exame anatomopatológico.

Alzheimer observou acúmulo de placas características no espaço extracelular (placas senis) e lesões neurofilamentares no interior de neurônios, distribuídas difusamente pelo córtex cerebral. Cinco anos após, em 1912, o renomado professor de Psiquiatria alemão E. Kraepelin faz pela primeira vez menção, em seu compêndio de Psiquiatria, a “esta doença descrita por Alzheimer”. A partir dessa época, o epônimo Doença de Alzheimer passou a ser utilizado para os casos de demência ocorrendo na faixa etária pré-senil (antes dos 65 anos) e que apresentavam características clínicas e neuropatológicas semelhantes à paciente inicialmente descrita.

Durante várias décadas, esse diagnóstico ficou reservado a tais casos de demência degenerativa présenil, em oposição aos casos bem mais freqüentes - e já conhecidos no início do século XX - de Demência Senil. Esta dicotomia teve raízes em disputas acadêmicas entre diferentes escolas psiquiátricas alemãs naquela mesma época. Foi apenas muitas décadas após, no final dos anos 60, que diferentes estudos demonstraram que a então denominada Doença de Alzheimer e a Demência Senil eram, na realidade, a mesma condição clínico-patológica, embora com algumas diferenças de apresentação clínica. A partir da década de 70, o termo Doença de Alzheimer passou a ser empregado de forma indistinta para os casos de demência degenerativa que apresentavam as lesões cerebrais descritas (placas senis e emaranhados neurofibrilares), independentemente da faixa etária de início dos sintomas.
 Com o aumento substancial da expectativa de vida da população mundial verificado nas últimas décadas, a Doença de Alzheimer tornou-se um sério e importante problema de saúde individual e coletiva, em decorrência da significativa incapacidade que acarreta aos pacientes, das influências sobre os familiares e cuidadores, além dos custos diretos e indiretos que ocasiona

Características 


A doença de Alzheimer é uma demência degenerativa. Este conceito remete para uma alteração global do funcionamento cognitivo. É uma doença que começa com perturbações de memória em que o doente começa por apresentar queixas frequentes de esquecimentos do local onde colocou determinados objectos. 
Numa fase inicial o doente têm consciência da sua situação, mas à medida que a doença progride o doente vai perdendo a consciência da sua doença e das suas dificuldades. 
Os problemas de linguagem também começam a ser cada vez maiores. O doente durante o seu discurso tem alguma dificuldade em encontrar as palavras e com o evoluir da doença, ao não conseguir encontrar a palavra certa, cria parafrases (palavras sem significado). A sua linguagem começa a ser cada vez mais confusa e a fazer cada vez menos sentido. A compreensão da linguagem também começa a ser cada vez mais difícil para o doente de Alzheimer. Esta situação começa muitas vezes por trazer conflitos entre a o doente e a sua família, que não o entende e este que não se consegue fazer entender. Para agravar esta problemática, as alterações comportamentais e mudanças de personalidade também se começam a manifestar numa fase mais avançada da doença. Podem manifestar sintomas depressivos como, apatia, desinteresse, desmotivação, sintomas ansiosos tais como, ansiedade generalizada, fobias, perturbações obsessivo-compulsivas. Podem manifestar também comportamentos agressivos, desinibição sexual ou até mesmo ideias delirantes.



A doença de Alzheimer é também caracterizada por perturbações Práxicas, em que o doente começa a ter dificuldade na execução de gestos desde os mais simples tais como, dizer adeus, fazer o sinal de chamamento, benzer-se, até aos mais complexos, tais como servir-se de uma tesoura ou vestir-se.
O doente começa também por perder capacidades de orientação quer no espaço, em que acontece muitas vezes o doente perder-se mesmo perto de casa e mais tarde dentro da própra casa, quer no tempo, em que o doente não sabe nem em que dia e mês está e muitas vezes nem no ano em que se encontra.
O doente vai progressivamente perdendo também a capacidade de se lembrar de rostos (prosopagnosia), inicialmente dos menos familiares e à medida que a doença progride, vai-se esquecendo das pessoas mais proximas. Começa por se esquecer das noras e genros, depois dos netos, mais tarde dos filhos, e por último do marido e muitas vezes da sua própria identidade.


Tratamento



Para identificar a doença de Alzheimer em primeiro lugar deve ser feito um diagnóstico diferencial, que permita excluir doenças que apresentam alguns sintomas idênticos, tais como perturbações cognitivas não demenciais, outras demências degenerativas e não degenerativas. Por vezes torna-se difícil diferenciar a doença de Alzheimer numa fase inicial, de uma perturbação cognitiva não demencial, como é o caso de uma síndrome depressiva, que apresenta também problemas de memória dos factos recentes, dificuldade de concentração e atenção, desinteresse, apatia e pouca iniciativa.

O doente deverá ter apoio psicoterapêutico no sentido de minimizar o sofrimento causado pela síndrome depressiva ou pelas perturbações de ansiedade, típico da fase inicial da doença, em que o doente sente perder o controlo das situações e o medo do futuro. Esta é uma fase em que o doente ainda tem consciência da sua situação e por isso devem ser trabalhados os sentimentos e emoções do doente relacionados com o seu problema. O objectivo terapêutico deve ser o de estimular a auto-estima do doente, de reduzir os sentimentos de ansiedade e depressão, ajuda-lo a ter mais autonomia e a evitar a perda de controlo.
As técnicas cognitivo-comportamentais, como as estratégias de gestão de stress e reestruturação cognitiva, podem ser úteis, na medida em que podem reduzir a ansiedade e o medo face ao futuro. As técnicas de relaxamento também podem ser eficazes para melhorar a qualidade do sono que é frequentemente alterada na doença de Alzheimer e as perturbações da ansiedade em geral. 
Estas técnicas podem e devem também ser aplicadas aos familiares do doente, que também estão a viver momentos de sofrimento, nomeadamente sentimentos depressivos e ansiosos

A terapia deve também ajudar o doente a habilitar a sua memória utilizando métodos específicos, tais como utilização de agendas adaptadas ao doente e outras coisas práticas que o ajudem na sua vida quotidiana.
Outras técnicas de habilitação cognitiva, consistem em utilizar exercícios que permitam “desenvolver” a linguagem, a memória, a atenção-concentração, a leitura, a escrita, a orientação e a coordenação motora



           
           

terça-feira, 24 de abril de 2012

Síndrome de Irlen - um esclarecimento


Visão, aprendizagem e a Síndrome de Irlen



O ato de aprender é próprio do ser humano, porém a qualidade e a quantidade dos novos saberes dependerão muito dos estímulos recebidos e principalmente da eficácia de cada um deles. Grande parte desses fatores de influência são originários do meio social, no qual o indivíduo está inserido, porém há que se considerar limitações físicas ou predisposições pessoais que cada um carrega em seu próprio código genético (FONSECA, 2004).





Estima-se que cerca de 85% de tudo o que aprendemos ou assimilamos do ambiente, bem como o desenvolvimento normal sensorial e motor, dependem de nossas habilidades visuais nos primeiros seis meses de vida (ATKINSON, 2000 e SHOR, 1989).
São vários os transtornos, síndromes e déficits que dificultam a aprendizagem, dentre os quais estão os distúrbios de aprendizagem relacionados à visão, que correspondem a uma dificuldade na manutenção da atenção, compreensão e memorização e à atividade ocular durante a leitura, levando a um déficit de aprendizado. Tais distúrbios afetam indivíduos de todas as idades, com inteligência normal ou superior à média e está relacionada a uma desorganização no processamento cerebral das informações recebidas pelo sistema visual. O esforço despendido nesse processamento, torna a leitura mais lenta e segmentada, o que compromete a velocidade de cognição e a memorização.
Um desses distúrbios de aprendizagem relacionados à visão é a Síndrome de Irlen (SI), que se caracteriza por dificuldades de processamento cerebral das informações visuais, causadas pela sensibilidade a determinados comprimentos de ondas de luz espectral visível ao olho humano (IRLEN, 1991). Tal disfunção perceptual apresenta seis manifestações principais: fotossensibilidade (sensibilidade aumentada a luz), desfocamento à leitura com distorções visuais, restrição do campo visual periférico, dor de cabeça, dificuldade de adaptação a contrastes e na manutenção da atenção. Alguns sintomas físicos recorrentes são: lacrimejamento, coceira e ardência ocular, esfregar os olhos constantemente, tampar/fazer sombra nos olhos enquanto lê, apertar e piscar os olhos excessivamente, balançar ou tombar a cabeça, cansaço após 10 a 15 minutos de leitura e leitura na penumbra.(GUIMARÃES, 2009)
A Síndrome de Irlen pode afetar além da leitura, outras áreas variadas da vida do indivíduo. A sensibilidade à luz pode causar desde simples incômodos em determinados ambientes ou circunstâncias, até prejuízos em habilidades, tais como: prática de esporte com bola, coordenação motora fina e grossa, habilidades musicais, coordenação espaço temporal, dentre outras (IRLEN, 1991).
Um indivíduo mesmo que com a acuidade visual dentro dos padrões de normalidade (ou seja, enxergando bem) tem chances de ser portador da síndrome, já que se trata de uma disfunção da percepção e não uma patologia ligada diretamente aos olhos. Ela está relacionada a déficits na codificação e decodificação das informações visuais pelo sistema nervoso central (AMEN, 2004). É necessário um diagnóstico diferencial por profissionais especializados, uma vez que não pode ser detectada através de exames oftalmológicos de rotina, nem por testes padronizados para verificação de dificuldades de aprendizagem (IRLEN, 1991).
De forma simplificada, a Síndrome de Irlen se manifesta da seguinte forma:





A população afetada pela Síndrome de Irlen se resume em 12-14% da população geral, superdotados e bons leitores; 46% de indivíduos com déficits específicos de aprendizagem e leitura; 33% dos casos de TDA e TDAH, Dislexia e comportamentais e 55% dos indivíduos com traumatismos cranianos, concussões, lesão contragolpe, etc (GUIMARÃES, 2009).
O protocolo de diagnóstico da Síndrome de Irlen é realizado através de uma abordagem multidisciplinar, com contribuição de diversas áreas, como: oftalmologia, psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Tal protocolo envolve entrega de questionários caracterização e habilidades acadêmicas, anamnese, exames oftamológicos específicos, screening (avaliação para constatação de distorções visuais no processo de leitura pela metodologia Irlen) e diagnóstico do padrão de leitura avisando intervenções psicopedagógicas, oftalmológicas, neurológicas, etc.
O Método Irlen de tratamento oferece aos portadores da Síndrome de Irlen diminuição da sintomatologia ou em alguns casos sua eliminação completa. É válido ressaltar que não se trata de intervenção medicamentosa, nem invasiva, mas sim propõe dois tipos abordagem (IRLEN, 1991):
1. Uso de overlays – lâminas de sobreposição. Objetivos: proporcionar conforto, nitidez, estabilidade e fluência durante a leitura. Tratamento proposto pelo atual projeto.
2. Filtros de bloqueio espectral (em óculos ou lentes de contato) – prescrição exclusiva de oftalmologista.
Hoje o método Irlen de tratamento vem sendo utilizado em quarenta e dois países e em mais de quatro mil instituições de ensino. Nos Estados Unidos uma resolução adotada em Julho de 2009, durante a Assembléia Geral de NEA – National Education Association, que agrega aproximadamente 3 milhões de trabalhadores na área da educação foi aprovada a proposta de que todos os seus membros sejam informados sobra a Síndrome de Irlen e seu tratamento. Outros locais aonde os testes já vem sendo aplicados como de rotina são: Austrália e Reino Unido (GUIMARÃES, 2009).
No Brasil, a Síndrome de Irlen é conhecida há apenas quatro anos através de cursos oferecidos pela Fundação do Hospital de Olhos de Minas Gerais, em módulos teórico-práticos sobre a metodologia de diagnóstico e tratamento. A rede de profissionais capacitados é composta por cerca de 530 profissionais de diversas áreas da saúde e educação. Esses indivíduos capacitados são conhecidos como screeners em 16 estados brasileiros


Para maiores esclarecimentos no Rio de Janeiro:  
Cecília Inocêncio
Contato: cecilia@ceciliainocencio.com.br                    
                                                                                   
                           

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sobre o arrependimento...


"Desconstruir crenças absolutistas sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o outro, abandonar a ditadura dos "deverias" e do perfeccionismo faz a vida de qualquer um mais leve e feliz.  Saber lidar com suas limitações e enxergar suas potencialidades traz de volta a alegria de viver para jovens e idosos...  E quanto mais cedo melhor.    Claudia Marinho"





Saber lidar com o arrependimento promove velhice saudável

Pesquisa mostra que jovens e idosos depressivos não lidam bem com o resultado de suas escolhas. Mas só entre os mais novos isso traz benefícios

idoso
Idoso emocionalmente saudável lida melhor com os próprios erros. (Thinkstock)
Envelhecer de modo saudável está diretamente ligado à capacidade de lidar com o arrependimento. Quando uma pessoa é jovem, se arrepender de uma escolha pode ajudá-la a tomar melhores decisões no futuro. No entanto, a partir de certa idade, as oportunidades de desfazer escolhas ruins diminuem, e já não há mais tantos benefícios em remoer seus próprios erros. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na revista Science, liderada pela neurocientista Stefanie Brassen, do Centro Médico da Universidade Hamburg-Eppendorf. 
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Don’t Look Back in Anger! Responsiveness to Missed Chances in Successful and Nonsuccessful Aging

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Stefanie Brassen; M. Gamer; J. Peters; S. Gluth; C. Büchel

Instituição: Centro Médico da Universidade Hamburg-Eppendorf

Dados de amostragem: 21 jovens, 20 idosos depressivos e 20 idosos saudáveis

Resultado: Os jovens e os idosos depressivos tiveram a mesma reação de arrependimento quando viram o resultado de suas escolhas erradas. Já os idosos saudáveis não se arrependeram, pois criaram estratégias mentais para não se sentir responsáveis pelos erros.
A equipe de cientistas usou imagens de ressonância magnética para comparar a atividade cerebral de dois grupos distintos: 21 jovens de aproximadamente 25 anos e 40 idosos com mais de 65. Entre os mais velhos, metade era emocionalmente saudável e metade sofria de depressão. Todos os participantes tiveram de jogar umgame de computador no qual abriam uma série de caixas.
Dentro dessas caixas eles podiam encontrar moedas ou um desenho do demônio. Seu objetivo era juntar a maior quantia de dinheiro possível, mas toda vez que o demônio aparecia, ele retirava todas as moedas do voluntário e encerrava o jogo. Depois de abrir cada caixa, o participante tinha de decidir se continuava jogando ou parava por ali e ficava com todo o dinheiro coletado. No final, todas as caixas eram abertas, mostrando o quão longe os voluntários poderiam ter ido se continuassem no jogo. Isso acontecia porque o arrependimento é caracterizado pela comparação entre “o que é” contra o que “poderia ter sido”. Para induzir o sentimento, os cientistas não tinham apenas que mostrar o resultado de suas escolhas, mas também as oportunidades perdidas. 
Quando os jovens e os idosos depressivos viam que poderiam ter ganhado mais dinheiro, eles encaravam mais riscos na rodada seguinte. Com os idosos saudáveis, isso não acontecia. Ao analisar a atividade de regiões cerebrais envolvidas com o sentimento de arrependimento e a regulação das emoções, descobriram que o cérebro dos jovens e adultos depressivos agiu do mesmo modo. Já o cérebro dos idosos saudáveis mostrou um padrão diferente, dando provas de menor arrependimento e mais controle emocional. 
De acordo com os pesquisadores, os idosos saudáveis usavam estratégias mentais para se livrar do problema, como pensar que os resultados do teste eram produto de fatores em que eles não poderiam influenciar, como a sorte. Já os depressivos se culpavam pelos resultados. Como conclusão, os pesquisadores afirmam que treinar as pessoas a usar estratégias mentais para se livrar do arrependimento poderia ajudar a preservar a saúde emocional em idades avançadas.

Fonte: Veja

quinta-feira, 29 de março de 2012

Cada um envelhece de um jeito




"O declínio cognitivo não é uma sentença sobre a terceira idade. A perda da agilidade mental depende da complexa interação entre genética, personalidade e ambiente."



 



Luísa M., de 70 anos, acabou de comprar uma televisão. Pouco antes do início de seu programa preferido, ela tenta ligar o aparelho. Confunde-se um pouco com a quantidade de botões no controle remoto, e os comandos desaparecem da tela antes que possa lê-los. Recorre ao manual de instruções, mas as informações logo desaparecem de sua mente, e ela não consegue executá-las. Faltam poucos minutos para o programa começar quando ela decide pedir ajuda à sua vizinha, Margarida R., que, apesar de três anos mais velha, compreende rapidamente as orientações do manual e liga a TV. Só então Luísa se dá conta de que tem tido lapsos de memória cada vez mais frequentes. E já não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, ainda que sejam muito simples – por mais de uma vez colocou a água do café para ferver e esqueceu a panela no fogo. Acredita que seu problema seja “a idade”, mas se pergunta por que Margarida não enfrenta as mesmas dificuldades. Seu questionamento também tem intrigado cientistas. Até o início desta década, as pesquisas sobre as bases psicofisiológicas da memória de trabalho (ou de curto prazo, que é limitada e permite o armazenamento temporário de informações) e outras funções cognitivas compararam a atividade cerebral de jovens e idosos.

Os resultados retratam o desempenho médio grupal do cérebro maduro, sem considerar diferenças individuais, o que não esclarece se eventuais sinais de declínio cognitivo são realmente consequência da idade ou se as pessoas que participaram dos estudos apresentaram baixo rendimento ao longo de toda a vida. Apenas recentemente os estudos passaram a focar variáveis como genética, personalidade e qualidade de vida. E vários deles sugerem que elas são decisivas no processo de envelhecimento neural. Os procedimentos de neuroimagem, realizados por ressonância magnética funcional (IRMf), permitem distinguir quais regiões do cérebro são mais ativadas durante processos de resolução de problemas. Esse método registra as alterações que ocorrem no fluxo sanguíneo neural. Por meio delas é possível reconhecer as redes que entram em funcionamento de acordo com o tipo e o grau de dificuldade do exercício que a pessoa resolve no momento do teste. Em um estudo desenvolvido em 2009, nossa equipe de trabalho, no Instituto Max Planck, em Berlim, conseguiu relacionar, utilizando a IRMf, a capacidade de rendimento individual de pessoas na terceira idade com sinais de ativação cerebral. Em um dos experimentos, os participantes – 30 deles com 20 anos, em média, e outros 30 com mais de 60 – tiveram de solucionar exercícios que os obrigavam a utilizar a memória espacial. Os voluntários deveriam lembrar a posição de pontos que apareciam, por breves momentos, em uma tela, enquanto estavam dentro do tubo de ressonância. Em algumas ocasiões aparecia um ponto isolado; às vezes, três ou até sete pontos dispersos. Quando esses sinais desapareciam, imediatamente surgia uma cruz; logo depois, outros pontos. Os participantes deveriam reconhecer, portanto, se os pontos mostrados na última exibição estavam na mesma posição da imagem anterior.

No cérebro dos mais jovens, a imagem composta de sete pontos ativava, com maior intensidade, o lóbulo frontal do córtex e o córtex parietal posterior (área com função destinada a memórias de longo prazo). Faz sentido, já que geralmente os testes complexos exigem esforço cognitivo mais intenso. No caso de pessoas com mais de 60 anos, porém, esse ajuste de ativação não funcionou. Especialmente os mais idosos com menor rendimento apresentaram pouco aumento de ativação do cérebro durante as tarefas mais complexas; em alguns casos, essa reação diminuiu – foi constatado que o ajuste inadequado do processo de ativação das regiões cerebrais coincidia com o menor rendimento. Algo semelhante ocorre com a estabilidade momentânea do funcionamento neural, como foi demonstrado pelos psicólogos da equipe de Brian Knutsen, da Universidade Stanford, em 2010. Eles pediram que 54 adultos, entre 21 e 85 anos, escolhessem um investimento financeiro – fundo de renda fixa ou ações. Essa decisão traria lucros ou prejuízos, de acordo com probabilidades preestabelecidas. Os cientistas observaram, principalmente, como os avaliados fugiam das decisões típicas de um investidor racional, ou seja, optar por ações de risco somente quando os acontecimentos anteriores asseguravam que valia a pena. Exames de imagem comprovaram que a ativação do cérebro mostrava picos curtos de atividades nos adeptos do risco. Entre outras regiões, aumentava a recompensa do cérebro médio, sobretudo no miolo central. Em pessoas mais velhas, a variação da atividade neural nessa área foi mais ampla e apresentou maiores índices de erro. Os pesquisadores concluíram que os voluntários de maior idade tinham mais propensão a correr riscos desnecessários. A capacidade defasada da memória de trabalho e a dificuldade de avaliar as opções parecem, portanto, associadas a déficits do processamento neural. Ainda assim, alguns idosos – os que detinham maiores recursos intelectuais – obtiveram bons resultados, chegando a um padrão semelhante ao de um indivíduo jovem. Como isso é possível?

A distribuição da atividade neural depende de vários aspectos: a densidade da massa cinzenta e do córtex cerebral, as conexões das áreas cerebrais (massa branca) e a disponibilidade de neurotransmissores. Entretanto, muitas pesquisas indicam que essas características mudam com a idade, o que parece justificar as diferenças na capacidade intelectual. O momento em que os processos de envelhecimento cerebral aparecem e a velocidade com a qual avançam dependem de fatores genéticos, entre outros. Isso foi comprovado no caso da dopamina, neurotransmissor responsável por inúmeras funções cognitivas complexas. Uma enzima de nome complicado, catecoloximetiltransferase (COMT), regula a quantidade de dopamina no cérebro. Ela se encarrega de bloquear transmissores específicos para os receptores que se encontram unidos às células nervosas; isso significa que, quanto maior a quantidade de COMT, maior a inibição de dopamina. Cada gene que contém instruções para a síntese da enzima COMT tem variants (polimorfismos), podendo se expressar na forma Val (mais rápida) ou Met (mais lenta). Quando os pares cromossômicos são combinados, de cada um deles derivam quatro genótipos: existem pessoas com Met/Met, outras que misturam Val/Met ou Met/Val e as que possuem Val/Val. O primeiro grupo dispõe de maior quantidade de dopamina; assim menos neurônios se degradam em razão de menor disponibilidade de dopamina. Na prática, parece que a presença dessa substância mantém o cérebro jovem por mais tempo. Métodos modernos conseguem comprovar o genótipo de diversos grupos de pessoas e relacioná-los aos resultados de sua capacidade cognitiva. Assim aconteceu em 2008: solicitou-se que jovens e idosos resolvessem um exercício semelhante ao de memória espacial, descrito anteriormente. Foi encontrado o genótipo correspondente à enzima COMT em cada participante por meio de testes de DNA, e posteriormente comparados os valores. Os mais velhos alcançaram pontuações diferentes, dependendo da disponibilidade de dopamina identificada: quanto maior a presença da substância, melhor o rendimento. Com os jovens foi diferente. Um fator genético que apenas desempenha função relevante na juventude pode exercer influência na velhice? Na verdade, duas reações simultâneas se misturam nesse caso. Com o passar dos anos, a quantidade de dopamina no cérebro diminui. Aqueles que apresentam menor quantidade.

Com o passar do tempo, a influência genética é decisiva apenas em certa medida; escolhas e estilo de vida também são fundamentais da substância (por causa do genótipo COMT) podem mostrar, como consequência, deficits cognitivos. Não significa que a quantidade de genes varie ao longo dos anos, e sim que as diferenças genéticas ganham peso com as mudanças proporcionadas pela idade. Foram encontrados fenômenos semelhantes em outros genes que influenciam a capacidade mental. Assim, o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês) está envolvido na aprendizagem e na formação da memória. Destaca-se aí a extraordinária dinâmica da influência genética, que parece desvendar, cada vez mais, a diferença de desempenho cognitivo com o avanço da idade.

Por outro lado, sabe-se que o estresse é um dos grandes responsáveis pelo envelhecimento crônico. Ainda assim, vale lembrar que muitas vezes aquilo que um indivíduo considera um fardo pode não ser um problema para os outros. Um fator que aumenta a propensão ao estresse é a instabilidade emocional. Segundo constatações de pesquisadores da Universidade Rush, de Chicago, pessoas com alta pontuação nesse traço de personalidade sofreram maior declínio cognitivo na velhice. Já os mais equilibrados, que se abatem menos por circunstâncias externas e conseguem manter a lucidez e o otimismo mesmo em situações difíceis, costumam ter mais chances de envelhecer com saúde. Reconhecer características individuais é importante, tanto no aspecto intellectual quanto no que diz respeito a emoções e motivação dos idosos. Entretanto, os fatores que realmente podemos controlar no caminho do amadurecimento ainda são uma incógnita. De qualquer forma, já sabemos que é possível interferir positivamente no processo de envelhecimento: um estilo de vida saudável e estimulante – que combine atividades físicas e cognitivas – é uma boa garantia para a manutenção do intelecto. O melhor de tudo é que muitos ainda descobrem que participar de aulas de dança ou fazer trabalho voluntário, por exemplo, pode ser muito divertido


segunda-feira, 12 de março de 2012


TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM: COMO IDENTIFICAR?










Doutora em psicologia e educação pela USP e pesquisadora da Universidade de Turim, Nadia Bossa conta como os pais podem saber e o que fazer quando os filhos têm transtornos de aprendizagem.


Folha - Como os pais podem identificar o transtorno?
Nadia Bossa - Sugiro que façam uma espécie de laboratório com os filhos. Não é preciso aplicar uma prova em casa, mas colocar a criança diante de situações que exijam raciocínio matemático, interpretação de texto ou habilidades motoras [veja abaixo].
Serve para acender um sinal de alerta. Se o sinal obtido for vermelho, é preciso procurar ajuda de um psicólogo, psicopedagogo ou de um neuropediatra.

O professor sabe quando o aluno tem algum transtorno?
É difícil que o professor não saiba que algo vai mal. O que acontece mais frequentemente é o professor ver que o aluno tem dificuldade e tentar aplicar os métodos tradicionais, que funcionam muito bem em crianças sem transtornos de aprendizagem, mas não com as que têm o problema.



O problema está aumentando ou há uma banalização do diagnóstico?
Há as duas coisas. Existem diagnósticos precipitados e malfeitos e até pais que decidem que a criança tem uma coisa que nenhum médico disse que ela tinha, mas o problema de fato é crescente. Hoje as pesquisas apontam que algo entre 5% e 10% dos alunos apresentam algum transtorno específico da aprendizagem.

Por que esses transtornos estão crescendo?
Parece que é por conta de um tipo de criação que prioriza o desenvolvimento de algumas habilidades e negligencia outras.
A rotina das crianças é muito privada de atividades motoras mais amplas. Elas não correm na rua. Hoje, o brinquedo faz tudo, a criança só olha ele dançar, piscar luzinhas. O brinquedo faz coisas demais e a criança termina por fazer coisas de menos.
Antes elas montavam a casinha, separavam os objetos, eram atos classificatórios, era interação com objetos reais, desenvolvia noção de espaço.

Brincar no iPad, por exemplo, não pode desenvolver novas habilidades?
Sim, mas elas não são as mesmas necessárias nas tarefas acadêmicas. O excesso de uso de tablets e computadores acaba atrofiando justamente as habilidades que serão exigidas no início da vida escolar: habilidades motoras, criatividade produtiva, manusear materiais e construir coisas a partir deles. O excesso de contato com iPads, computadores e videogames gera na criança uma dificuldade em equilibrar a atenção difusa e a atenção concentrada.

Mas essas tecnologias estão também na sala de aula...
A escola pode ser um ambiente tecnológico, nada de errado com isso desde que ela valorize o desenvolvimento físico com a mesma atenção. O que vem acontecendo é que tanto em casa quanto na escola todos se esquecem de que a criança tem um corpo e que esse corpo precisa aprender coisas, precisa se exercitar tanto quanto o cérebro.

Transtorno de aprendizagem é doença? Tem tratamento?
Não é uma doença, é um tipo de funcionamento cerebral diferente que nós tratamos com uma espécie de "fisioterapia cerebral", que são atividades, jogos e desafios específicos para desenvolver as áreas em que a criança encontra mais dificuldade.
Frequentemente precisamos tratar com uma equipe multidisciplinar, com neurologista, psicólogo e psicopedagogo. Quem procura ajuda até a criança chegar aos oito anos provavelmente vai conseguir resolver o problema.


FONTE: Folha.com

sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma realidade...


DEPRESSÃO PÓS-PARTO


O pós-parto é um período de risco psiquiátrico aumentado no ciclo de vida da mulher. A depressão pós-parto, também conhecida como postpartum blues, pode se manifestar com intensidade variável, tornando-se um fator que dificulta o estabelecimento de um vínculo afetivo seguro entre mãe e filho, podendo interferir nas futuras relações interpessoais estabelecidas pela criança.
Apesar das controvérsias, vários fatores podem ser mencionados como possível causa da depressão pós-parto, entre eles:
Fatores biológicos
São os resultantes da grande variação nos níveis de hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) circulantes e de uma alteração no metabolismo das catecolaminas causando alteração no humor, podendo contribuir para a instalação do quadro depressivo.
Fatores psicológicos
São os originados de sentimentos conflituosos da mulher em relação: 
 
a si mesma, como mãe
ao bebê
ao companheiro
a si mesma, como filha de sua própria mãe
Outros fatores, relacionados às condições do parto, à situação social e familiar da mulher gerando sobrecarga, também podem desencadear esses distúrbios.
Sintomatologia
A intensidade dos sintomas geralmente define os diferentes quadros depressivos do período pós-parto. A depressão pós-parto (Postpartum blues), é um distúrbio emocional comum, podendo ser considerada uma reação esperada no período pós-parto imediato e que geralmente ocorre na primeira semana depois do nascimento da criança. Entre 50% a 80% de todas as mulheres apresentarão reações emocionais.
Os sintomas incluem crises de choro, fadiga, humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, confusão e lapsos curtos de memória. As reações emocionais não psicóticas ocorridas no período de pós-parto se resolvem espontaneamente em até seis meses, sendo que o manejo consiste em deixar a paciente verbalizar seus sentimentos, enfatizando a normalidade da sua alteração.
Psicose Puerperal e Síndrome Depressiva Crônica
São quadros depressivos que também ocorrem no período do pós-parto.
Na Psicose Puerperal, os sintomas aparecem nos três primeiros meses pós-parto e são mais intensos e duradouros, com episódios psicóticos, necessitando acompanhamento psicológico e internação hospitalar.
A Síndrome Depressiva Crônica é um episódio depressivo e não psicótico, com humor disfórico, distúrbio do sono, modificação do apetite, fadiga, culpa excessiva e pensamentos suicidas. O tratamento deve ser psicológico e medicamentoso, pois os sintomas podem persistir por até um ano.
Desde o século passado existem publicações sobre os transtornos do período pós-parto e, apesar do assunto ainda causar controvérsias, é importante o seu diagnóstico precoce, ajudando as mulheres na resolução de seus conflitos para o estabelecimento de vínculos adequados entre a mãe e seu filho

Porem e importante ressaltar a diferença entre Depressão pós-parto e tristeza.  A verdadeira depressão pós-parto atinge de 10 a 15% das mulheres segundo estatísticas americanas. A maior parte acaba nem percebendo que está deprimida, considera como um stress ou então o próprio companheiro ou médico não considera que seja depressão, e diz a ela que está cansada e o caso acaba ficando por isso mesmo. Na maior parte das vezes a mulher acaba não sendo atendida, o que pode fazer o caso se resolver sozinho ao longo do tempo, porém corre o risco de piorar.

Independente de ser uma depressão ou apenas uma tristeza, vale a pena procurar ajuda profissional para que a mãe, o pai e todos os envolvidos diretamente com a chegada da criança, possam de fato aproveitar esse momento especial da vida.