sábado, 23 de junho de 2012

O Psicopata.



Sabe aquela pessoa que acha que pode passar a frente de todos por que não haverá problema algum? Ou aquela pessoa que fura filas simplesmente por achar que ficar esperando não e pra ela?  Ou então que passa por cima de um colega de trabalho sem o menor escrúpulo por que afinal de contas o mundo corporativo e assim mesmo selvagem?  Pois e...  Fique atento, você pode estar perto de alguém com transtorno de personalidade antissocial, vulgo psicopata.


A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação ,egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar de a psicopatia ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as mulheres, em variados níveis, embora com características diferenciadas e menos específicas.







A psicopatia parece estar relacionada a algumas importantes disfunções cerebrais, sendo importante considerar que um só único fator não é totalmente esclarecedor para causar o distúrbio; parece haver uma junção de componentes. Embora alguns indivíduos com psicopatia mais branda não tenham tido um histórico traumático, o transtorno - principalmente nos casos mais graves, tais como sádicos e serial killers - parece estar associado à mistura de três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou traumas neurológicos, predisposição genética e traumas sociopsicológicos na infância (ex, abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos e separação dos pais etc.). Todo indivíduo antissocial possui, no mínimo, um desses componentes no histórico de sua vida, especialmente a influência genética. Entretanto, nem toda pessoa que sofreu algum tipo de abuso ou perda na infância se tornara um psicopata; há de se considerar desde a genética, traumas psicológicos e disfunções no cérebro (especialmente no lobo frontal e sistema límbico)



Por se tratar de um transtorno de personalidade, o distúrbio tem eclosão evidente no final da adolescência ou começo da idade adulta, por volta dos 18 anos e geralmente acompanha por toda a vida, porem aos 6/7 anos de idade uma criança já pode apresentar alguns sintomas como crueldade com animais e colegas, mentiras excessivas, condutas desafiadoras a figuras de autoridade (pais, professores) e falta de vergonha ou constrangimento quando pegos em flagrante com mentiras.  Há que se ter bastante cuidado na avaliação de uma criança pois alguns destes sintomas estão presente também em outras psicopatologias que nada tem a ver com transtornos de personalidade.


Algumas características e mitos.

Os psicopatas costumam ser egocêntricos, desonestos. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa; nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.
Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos

O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.

O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia também. E de fato muito difícil mudar comportamentos psicopatas, porem a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos, principalmente quando levados a um tratamento na infância. Não custa tentar....


De maneira geral podemos identificar dois tipos de psicopatas: os ditos “comunitários” ou de grau leve e os do tipo “antissocial” ou de grau moderado a grave.

Os primeiros, que são os mais comuns, são os mais difíceis de serem diagnosticados porque tendem a se passar despercebidos no ambiente social. Muitas vezes estão ao lado de todos e ninguém consegue perceber isto. Eles podem ser desde um falso colega oportunista que vive se fazendo de vítima, até trapaceiros, parasitas sociais, políticos, empresários e religiosos. Esse psicopata raramente vai para a cadeia, mas quando esses indivíduos - por algum motivo ilícito - vão para a prisão, são tidos como presos "exemplares" pelo seu bom comportamento: são muito bem vistos, comportados, não arranjam confusões e dissimulam uma aparência de inocentes, a ponto que outros presos e seguranças não consigam acreditar que aquela pessoa tão calma pôde cometer algum crime. Comumente foram crianças com grande charme superficial, encantavam facilmente adultos pela sua aparência de docilidade, entretanto, já apresentavam traços de frieza, insensibilidade, e intolerância à frustração - que podem ser evidentes em condutas como maltratar coleguinhas, animais, mentir etc.

Já o psicopata de grau moderado a grave corresponde àqueles que satisfazem quase ou todos os critérios do DSM do transtorno de personalidade antissocial . Esses psicopatas têm uma alta tendência a se enquadrarem por exemplo, na categoria serial killers A maioria apresenta as mesmas características do psicopata comunitário, entretanto apresentam condutas que os colocam contra à sociedade em geral fazendo com que sejam mais facilmente inseridos no meio carcerário. São menos freqüentes, porem eles são aqueles que estão mais facilmente vulneráveis a delitos graves e chocantes. Podem estar mais infiltrados no meio das drogas, álcool, jogo compulsivo, direção imprudente, vadiagem e promiscuidade e vandalismo, além de grandes golpes e graves estelionatos. Obtêm prazer (principalmente sexual) ao ver o sofrimento de outra pessoa e são indivíduos excessivamente problemáticos, do ponto de vista emocional. Em contraste a essas características, de modo semelhante ao psicopata comunitário, podem apresentar-se como uma pessoa normal perante os outros e a sociedade, contudo, escondem uma personalidade muito mais sombria - esta ocasionalmente visível para familiares, por exemplo, onde o ambiente é marcado por discussões frequentes. É comum nessas pessoas, um histórico de doenças neuropsiquiátricas como depressão, déficit de atenção, transtornos de ansiedade ou outros distúrbios de personalidade, além de um persistente sentimento de vazio existencial e tédio, o que os faz buscarem constantes estímulos - inconstantes, enjoam de tudo facilmente, por isso sempre procuram algo novo e diferente para fazerem; mas possuem dificuldade em terminar o que começam. Entretanto, parece que desde criança, apesar desse vazio sentimental, eles conseguem "imitar" as emoções das outras pessoas (embora não as sinta de verdade) a fim de conseguirem um ideal. Assim são suas emoções, geralmente aparecem e desaparecem de forma súbita. Na infância, esses indivíduos geralmente sofreram algum tipo de trauma significante o que pode ser considerado agravante da psicopatia. Normalmente foram crianças mais reservadas ou introvertidas, mas que, por vezes, apresentavam traços de transtorno de conduta. Mesmo que não demonstrem socialmente, a característica principal da psicopatia é um forte traço narcisista enraizado na personalidade, podem demonstrar características megalomaníacas.




Critérios pelo DSM-IV-TR para transtorno de personalidade antissocial (F60.2/301.7)
  •  A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
  •   1.Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
  •   2.Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
  •       3.Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas    lutas corporais ou agressões físicas; porém, paradoxalmente, têm fama e geralmente agem de forma bem comportada.           4.Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
  •   5.Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
  •   6.Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
  •   7.Comportamento sexual exacerbado e inadequado, via de regra com vários parceiros, sem nenhuma ligação afetiva;
  •   8. Agressividade contra animais domésticos;
  •   9. Desrespeito e desprezo por ambientes familiares;
  •   B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
  •   C. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
  •   D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.



Vale dizer que, embora tecnicamente o psicopata seja sinônimo do transtorno de personalidade antissocial, nem sempre os psicopatas (principalmente os mais comuns) apresentam todas esses critérios.
Entretanto, em contraste com tais características, um ponto muito comum entre todos os psicopatas é o ambiente intrafamiliar marcado por diversos e extensos conflitos; todo psicopata tem um ambiente familiar conturbado, permeado por constantes discussões e brigas



Características resumidas e curiosidades
§  Para cada 25 pessoas, 1 ao menos exibe traços psicopáticos;
§  Para cada 3 homens psicopatas, 1 mulher é psicopata;
§  Podem ter uma autoestima ou visão de si próprios elevada;
§  Frequentemente são autossuficientes e vaidosos;
§  Muitas vezes exibem um encanto superficial, são sedutores e conquistam facilmente as outras pessoas;
§  Possuem dificuldade em manter relacionamentos, embora consigam estabelecer facilmente;
§  É comum a necessidade de ter autoridade: são pessoas que necessitam estar sempre no comando ou poder, detestam serem comandados ou submissos;
§  Frequentemente possuem tendências sádicas;
§  Frequentemente são muito manipuladores, manipulam pessoas, ambientes e circunstâncias a seu favor;
§  Não possuem sentimentos de culpa ou arrependimento;
§  Geralmente são frios, raramente demonstrando algum tipo de afetividade mas quando demonstram, é superficial;
§  Podem ser inconstantes, detestar rotina e monotonia e enjoar fácil de tudo;
§  Frequentemente irresponsáveis: tendem a jogar culpa sempre nos outros, não se responsabilizam pelas próprias condutas.
§  Falta de metas a longo prazo ou mudanças constantes de metas;
§  Tendem a ser infieis e seus relacionamentos íntimos geralmente não são duradouros;
§  Podem possuir vida dupla: socialmente sendo pessoas exemplares, mas com pessoas da intimidade se mostrarem totalmente diferentes;
§  Bastante críticos em relação a moralidade e ética. Para eles, "regras foram feitas para serem quebradas" e "os fins justificam os meios";
§  Frequentemente psicopatas se dão bem em entrevistas de empregos, manipulam as pessoas e conquistam a confiança de todos facilmente no ambiente de trabalho;
§  Geralmente acham que estão certos e que seu estilo de vida é o mais adequado.
§  Expressam pouco ou nenhum amor, afetividade, carinho etc. Nem mesmo por filhos, pais, parentes, cônjuge ou amantes.
§  Geralmente são pessoas com sorrisos fáceis, amáveis quando lhe convêm e absolutamente frias quando julgam necessário;

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boderline - Você conhece alguém assim?


Irretocável matéria sobre o Transtorno de Personalidade Boderline






Borderline é um transtorno de personalidade que traz sérias conseqüências para a pessoa, seus familiares e seus amigos próximos. O termo "fronteiriço" se refere ao limite entre um estado normal e um quase psicótico, assim como às instabilidades de humor.
Muito mais freqüente em mulheres do que em homens (por isso a página é escrita no feminino).
1) Sintomas (claro que nem todas as Borderline tem todos estes sintomas):
  • Medo de abandono: uma necessidade constante, agoniante de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio.
  • Dificuldade de administrar emoções
  • Impulsividade.
  • Instabilidade de humor. As oscilações de humor do DAB ou TAB - Distúrbio ou Transtorno Afetivo Bipolar duram semanas ou meses, mas as Borderline têm oscilações de minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero- e auto-agressividade. Uma paciente marca a consulta informando que está super deprimida, querendo morrer. No dia seguinte chega à consulta bem humorada, bem vestida, maquiada, vaidosa.
  • Comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar). As portadoras de Borderline dizem que se machucam para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor. Ou porque a dor no corpo "é melhor que a dor na alma".
  • Tentativas de suicídio, mais freqüentemente as de impulso do que as planejadas.
  • Mudanças de planos profissionais, de círculos de amizade.
  • Problemas de auto-estima. Borderlines se sentem desvalorizadas, incompreendidas, vazias. Não tem uma visão muito objetiva de si mesmos.
  • Muito impulsivas: idealizam pessoas recém conhecidas, se apaixonam e desapaixonam de maneira fulminante.
  • Desenvolvem admiração e desencanto por alguém muito rapidamente. Criam situações idealizadas sem que o parceiro objeto do afeto muitas vezes nem tenha idéia de que o relacionamento era tão profundo assim...
  • Alta sensibilidade a qualquer sensação de rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades emocionais. Uma pequena viagem de negócios do namorado ou marido pode desencadear uma tempestade emocional completamente desproporcional (acusações de rejeição, de abandono, de não se preocupar com as necessidades dela, de egoísmo, traição, etc.).
  • A mistura de idealização por alguém e a extrema sensibilidade às pequenas rejeições que fazem parte de qualquer relacionamento são a receita ideal para relacionamentos conturbados e instáveis, para rompimentos e estabelecimento imediato de novos relacionamentos com as mesmas idealizações.
  • Menos freqüente: episódios psicóticos (se sentirem observadas, perseguidas, assediadas, comentadas).
2) Risco aumentado para:
  • Compras Compulsivas.
  • Sexo de risco.
  • Comer Compulsivo, Bulimia, Anorexia.
  • Depressão.
  • Distúrbios de Ansiedade.
  • Abuso de substâncias.
  • Transtorno Afetivo Bipolar.
  • Outros Transtornos de Personalidade.
  • Violência (não só sexual), abusos e abandono, por causa da impulsividade e da falta de crítica para escolher novos parceiros.
3) A causa provável é uma combinação de:
  • Vivências traumáticas (reais ou imaginadas) na infância, por exemplo abuso psicológico, sexual, negligência, terror psicológico ou físico, separação dos pais, orfandade.
  • Vulnerabilidade individual.
  • Stress ambiental que desencadeia o aparecimento do comportamento Borderline.
Cuidado com conclusões precipitadas do tipo "você foi abusada" ou "você foi aterrorizada".
4) Evolução:
  • Geralmente começa a se manifestar no final da adolescência e início da vida adulta.
  • Com o passar dos anos existe uma diminuição do número de internações hospitalares e de tentativas de suicídio.
  • Parece piada de mau gosto, mas é uma realidade estatística: a cada tentativa de suicídio que a Borderline sobrevive, diminui a chance de uma nova tentativa.
5) Fatores de bom prognóstico:
  • Bons relacionamentos familiares, sociais, afetivos, profissionais.
  • Participação em atividades comunitárias: igrejas, clubes, associações culturais, artísticas, etc.
  • Baixa ou ausente freqüência de auto-agressão.
  • Baixa ou ausente freqüência de tentativas de suicídio.
  • Ser casada.
  • Ter filhos.
  • Não ser promíscua.
6) Tratamento.
A integração de tratamentos medicamentosos mais psicoterápico trouxe grandes progressos no tratamento do Transtorno Borderline.
  • Medicação:
O tratamento medicamentoso inclui Estabilizadores de Humor (mesmo que não se trate de DAB) pois eles ajudam a conter a impulsividade e as oscilações de humor.
Antidepressivos e Tranqüilizantes não tem a mesma eficácia que teriam em casos de depressões ou ansiedades "puras" mas certamente tem sua utilidade em Borderline.

Embora a medicação seja muito importante, ela é ator coadjuvante. O ator principal no tratamento é a Psicoterapia.
  • Psicoterapia:
Não é uma terapia fácil. O que acontece "na vida real" acontece dentro do consultório: instabilidade, alternância de amor e ódio, idealização e desapontamento com o terapeuta, sedução, impulsividade, etc.
Geralmente no início do tratamento a Psicoterapia é mais Analítica, para que a paciente reconheça o problema, suas causas e as conseqüências na sua vida.
Mais tarde, quando as causas e conseqüências estiverem bem entendidas pela paciente, a Psicoterapia Cognitivo Comportamental (TCC) é mais útil, pois ela ensina a paciente a ter comportamentos alternativos mais saudáveis.
Isso quer dizer o seguinte: o tratamento exige paciência, persistência, disciplina e muito boa vontade.
Pacientes gratos hoje podem se mostrar ingratos amanhã.
Terapeutas que hoje são vistos como atenciosos e dedicados podem ser criticados e vistos como monstros amanhã


Fonte: Mental Help

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Alzheimer - Uma Esperança

Antigo mistério sobre a doença de Alzheimer
A descoberta de que o envelhecimento de uma célula específica é uma causa da doença e não uma resposta a danos neurais, como os especialistas pensavam, abre perspectivas para novos tratamentos da demência





http://www2.uol.com.br/vivermente/img/px_branco.gif
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Células gliais figuram como atores principais numa série de doenças neurológicas e psicológicas. Pesquisas recentes mostraram que muitos transtornos neurológicos são na verdade transtornos da glia, particularmente um tipo de célula chamado de microglia, que funciona como um escudeiro defendendo o cérebro de doenças. Esses defensores procuram e matam corpos invasores, e promovem a recuperação de áreas danificadas. Eliminando tecidos doentes e liberando compostos potentes que estimulam a reparação dos tecidos, sua função é primordial em diversos tipos de doença neurológica.

Novas pesquisas sugerem que a demência típica da doença de Alzheimer poderia ser consequência direta da perda da capacidade da glia de limpar os detritos. Alois Alzheimer foi o primeiro a observar que a microglia envolve as placas de amiloides, que são a marca registrada da doença. Normalmente a microglia digere as proteínas tóxicas que formam essas placas. No entanto, estudos recentes realizados pelo neurocientista Wolfgang J. Streit, da Faculdade de Medicina da Universidade da Flórida, sugerem que com o passar do tempo a microglia enfraquece e começa a se degenerar. A atrofia é visível ao microscópio. Microglias senescentes em cérebros envelhecidos se fragmentam, perdendo várias de suas ramificações celulares.

A forma como a doença de Alzheimer incursiona pelo cérebro é mais um sinal do envolvimento microglial. Os danos do tecido se espalham de forma predeterminada, começando próximo do hipocampo e finalmente atingindo o córtex frontal. As observações de Streit mostram que a degeneração microglial segue o mesmo padrão – e ocorre antes da degeneração neural, sugerindo que o envelhecimento da microglia é uma causa da demência do Alzheimer, e não uma resposta a danos neurais, como o próprio Alzheimer e muitos especialistas pensavam. Essa descoberta pode levar a novos tratamentos para a demência, assim que os pesquisadores descobrirem por que a microglia se torna senescente com a idade em algumas pessoas, e em outras não


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Difícil Aprender?


Sobre as dificuldades de aprendizagem - Um lembrete...




A área da educação nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os alunos paralisados diante do processo de aprendizagem, assim são rotulados pela própria família, professores e colegas.
É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo.
As dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.
A dificuldade mais conhecida e que vem tendo grande repercussão na atualidade é a dislexia, porém, é necessário estarmos atentos a outros sérios problemas: disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).


- Dislexia: é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam que sua causa vem de fatores genéticos, mas nada foi comprovado pela medicina.
- Disgrafia: normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e inversões de letras, consequentemente encontra dificuldade na escrita. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.
- Discalculia: é a dificuldade para cálculos e números, de um modo geral os portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem sequências lógicas. Esse problema é um dos mais sérios, porém ainda pouco conhecido.
- Dislalia: é a dificuldade na emissão da fala, apresenta pronúncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.
- Disortografia: é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como consequência da dislexia. Suas principais características são: troca de grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.
- TDAH: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um problema de ordem neurológica, que traz consigo sinais evidentes de inquietude, desatenção, falta de concentração e impulsividade. Hoje em dia é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados como DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), porque apresentam alguma agitação, nervosismo e inquietação, fatores que podem advir de causas emocionais. É importante que esse diagnóstico seja feito por um médico e outros profissionais capacitados.
Professores podem ser os mais importantes no processo de identificação e descoberta desses problemas, porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos, psicólogos e psicopedagogos. O papel do professor se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas, não rotulando o aluno, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades

 Fonte: Brasil Escola

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um papo sobre Alzheimer


A Doença de Alzheimer 





Histórico da Doença

Alois Alzheimer, médico alemão que viveu entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, publicou, em 1907, o artigo A characteristic serious disease of the cerebral cortex, em que apresenta os achados clínicos e anatomopatológicos de um caso peculiar. Auguste D. foi atendida inicialmente aos 51 anos, quando passou a apresentar sintomas delirantes (ciúmes intensos) em relação ao marido. Alterações de linguagem e de memória, além de desorientação no tempo e no espaço instalaram-se logo em seguida, com piora progressiva. A paciente faleceu quatro anos e meio após o início dos sintomas, em estágio avançado de demência, e foi submetida a exame anatomopatológico.

Alzheimer observou acúmulo de placas características no espaço extracelular (placas senis) e lesões neurofilamentares no interior de neurônios, distribuídas difusamente pelo córtex cerebral. Cinco anos após, em 1912, o renomado professor de Psiquiatria alemão E. Kraepelin faz pela primeira vez menção, em seu compêndio de Psiquiatria, a “esta doença descrita por Alzheimer”. A partir dessa época, o epônimo Doença de Alzheimer passou a ser utilizado para os casos de demência ocorrendo na faixa etária pré-senil (antes dos 65 anos) e que apresentavam características clínicas e neuropatológicas semelhantes à paciente inicialmente descrita.

Durante várias décadas, esse diagnóstico ficou reservado a tais casos de demência degenerativa présenil, em oposição aos casos bem mais freqüentes - e já conhecidos no início do século XX - de Demência Senil. Esta dicotomia teve raízes em disputas acadêmicas entre diferentes escolas psiquiátricas alemãs naquela mesma época. Foi apenas muitas décadas após, no final dos anos 60, que diferentes estudos demonstraram que a então denominada Doença de Alzheimer e a Demência Senil eram, na realidade, a mesma condição clínico-patológica, embora com algumas diferenças de apresentação clínica. A partir da década de 70, o termo Doença de Alzheimer passou a ser empregado de forma indistinta para os casos de demência degenerativa que apresentavam as lesões cerebrais descritas (placas senis e emaranhados neurofibrilares), independentemente da faixa etária de início dos sintomas.
 Com o aumento substancial da expectativa de vida da população mundial verificado nas últimas décadas, a Doença de Alzheimer tornou-se um sério e importante problema de saúde individual e coletiva, em decorrência da significativa incapacidade que acarreta aos pacientes, das influências sobre os familiares e cuidadores, além dos custos diretos e indiretos que ocasiona

Características 


A doença de Alzheimer é uma demência degenerativa. Este conceito remete para uma alteração global do funcionamento cognitivo. É uma doença que começa com perturbações de memória em que o doente começa por apresentar queixas frequentes de esquecimentos do local onde colocou determinados objectos. 
Numa fase inicial o doente têm consciência da sua situação, mas à medida que a doença progride o doente vai perdendo a consciência da sua doença e das suas dificuldades. 
Os problemas de linguagem também começam a ser cada vez maiores. O doente durante o seu discurso tem alguma dificuldade em encontrar as palavras e com o evoluir da doença, ao não conseguir encontrar a palavra certa, cria parafrases (palavras sem significado). A sua linguagem começa a ser cada vez mais confusa e a fazer cada vez menos sentido. A compreensão da linguagem também começa a ser cada vez mais difícil para o doente de Alzheimer. Esta situação começa muitas vezes por trazer conflitos entre a o doente e a sua família, que não o entende e este que não se consegue fazer entender. Para agravar esta problemática, as alterações comportamentais e mudanças de personalidade também se começam a manifestar numa fase mais avançada da doença. Podem manifestar sintomas depressivos como, apatia, desinteresse, desmotivação, sintomas ansiosos tais como, ansiedade generalizada, fobias, perturbações obsessivo-compulsivas. Podem manifestar também comportamentos agressivos, desinibição sexual ou até mesmo ideias delirantes.



A doença de Alzheimer é também caracterizada por perturbações Práxicas, em que o doente começa a ter dificuldade na execução de gestos desde os mais simples tais como, dizer adeus, fazer o sinal de chamamento, benzer-se, até aos mais complexos, tais como servir-se de uma tesoura ou vestir-se.
O doente começa também por perder capacidades de orientação quer no espaço, em que acontece muitas vezes o doente perder-se mesmo perto de casa e mais tarde dentro da própra casa, quer no tempo, em que o doente não sabe nem em que dia e mês está e muitas vezes nem no ano em que se encontra.
O doente vai progressivamente perdendo também a capacidade de se lembrar de rostos (prosopagnosia), inicialmente dos menos familiares e à medida que a doença progride, vai-se esquecendo das pessoas mais proximas. Começa por se esquecer das noras e genros, depois dos netos, mais tarde dos filhos, e por último do marido e muitas vezes da sua própria identidade.


Tratamento



Para identificar a doença de Alzheimer em primeiro lugar deve ser feito um diagnóstico diferencial, que permita excluir doenças que apresentam alguns sintomas idênticos, tais como perturbações cognitivas não demenciais, outras demências degenerativas e não degenerativas. Por vezes torna-se difícil diferenciar a doença de Alzheimer numa fase inicial, de uma perturbação cognitiva não demencial, como é o caso de uma síndrome depressiva, que apresenta também problemas de memória dos factos recentes, dificuldade de concentração e atenção, desinteresse, apatia e pouca iniciativa.

O doente deverá ter apoio psicoterapêutico no sentido de minimizar o sofrimento causado pela síndrome depressiva ou pelas perturbações de ansiedade, típico da fase inicial da doença, em que o doente sente perder o controlo das situações e o medo do futuro. Esta é uma fase em que o doente ainda tem consciência da sua situação e por isso devem ser trabalhados os sentimentos e emoções do doente relacionados com o seu problema. O objectivo terapêutico deve ser o de estimular a auto-estima do doente, de reduzir os sentimentos de ansiedade e depressão, ajuda-lo a ter mais autonomia e a evitar a perda de controlo.
As técnicas cognitivo-comportamentais, como as estratégias de gestão de stress e reestruturação cognitiva, podem ser úteis, na medida em que podem reduzir a ansiedade e o medo face ao futuro. As técnicas de relaxamento também podem ser eficazes para melhorar a qualidade do sono que é frequentemente alterada na doença de Alzheimer e as perturbações da ansiedade em geral. 
Estas técnicas podem e devem também ser aplicadas aos familiares do doente, que também estão a viver momentos de sofrimento, nomeadamente sentimentos depressivos e ansiosos

A terapia deve também ajudar o doente a habilitar a sua memória utilizando métodos específicos, tais como utilização de agendas adaptadas ao doente e outras coisas práticas que o ajudem na sua vida quotidiana.
Outras técnicas de habilitação cognitiva, consistem em utilizar exercícios que permitam “desenvolver” a linguagem, a memória, a atenção-concentração, a leitura, a escrita, a orientação e a coordenação motora



           
           

terça-feira, 24 de abril de 2012

Síndrome de Irlen - um esclarecimento


Visão, aprendizagem e a Síndrome de Irlen



O ato de aprender é próprio do ser humano, porém a qualidade e a quantidade dos novos saberes dependerão muito dos estímulos recebidos e principalmente da eficácia de cada um deles. Grande parte desses fatores de influência são originários do meio social, no qual o indivíduo está inserido, porém há que se considerar limitações físicas ou predisposições pessoais que cada um carrega em seu próprio código genético (FONSECA, 2004).





Estima-se que cerca de 85% de tudo o que aprendemos ou assimilamos do ambiente, bem como o desenvolvimento normal sensorial e motor, dependem de nossas habilidades visuais nos primeiros seis meses de vida (ATKINSON, 2000 e SHOR, 1989).
São vários os transtornos, síndromes e déficits que dificultam a aprendizagem, dentre os quais estão os distúrbios de aprendizagem relacionados à visão, que correspondem a uma dificuldade na manutenção da atenção, compreensão e memorização e à atividade ocular durante a leitura, levando a um déficit de aprendizado. Tais distúrbios afetam indivíduos de todas as idades, com inteligência normal ou superior à média e está relacionada a uma desorganização no processamento cerebral das informações recebidas pelo sistema visual. O esforço despendido nesse processamento, torna a leitura mais lenta e segmentada, o que compromete a velocidade de cognição e a memorização.
Um desses distúrbios de aprendizagem relacionados à visão é a Síndrome de Irlen (SI), que se caracteriza por dificuldades de processamento cerebral das informações visuais, causadas pela sensibilidade a determinados comprimentos de ondas de luz espectral visível ao olho humano (IRLEN, 1991). Tal disfunção perceptual apresenta seis manifestações principais: fotossensibilidade (sensibilidade aumentada a luz), desfocamento à leitura com distorções visuais, restrição do campo visual periférico, dor de cabeça, dificuldade de adaptação a contrastes e na manutenção da atenção. Alguns sintomas físicos recorrentes são: lacrimejamento, coceira e ardência ocular, esfregar os olhos constantemente, tampar/fazer sombra nos olhos enquanto lê, apertar e piscar os olhos excessivamente, balançar ou tombar a cabeça, cansaço após 10 a 15 minutos de leitura e leitura na penumbra.(GUIMARÃES, 2009)
A Síndrome de Irlen pode afetar além da leitura, outras áreas variadas da vida do indivíduo. A sensibilidade à luz pode causar desde simples incômodos em determinados ambientes ou circunstâncias, até prejuízos em habilidades, tais como: prática de esporte com bola, coordenação motora fina e grossa, habilidades musicais, coordenação espaço temporal, dentre outras (IRLEN, 1991).
Um indivíduo mesmo que com a acuidade visual dentro dos padrões de normalidade (ou seja, enxergando bem) tem chances de ser portador da síndrome, já que se trata de uma disfunção da percepção e não uma patologia ligada diretamente aos olhos. Ela está relacionada a déficits na codificação e decodificação das informações visuais pelo sistema nervoso central (AMEN, 2004). É necessário um diagnóstico diferencial por profissionais especializados, uma vez que não pode ser detectada através de exames oftalmológicos de rotina, nem por testes padronizados para verificação de dificuldades de aprendizagem (IRLEN, 1991).
De forma simplificada, a Síndrome de Irlen se manifesta da seguinte forma:





A população afetada pela Síndrome de Irlen se resume em 12-14% da população geral, superdotados e bons leitores; 46% de indivíduos com déficits específicos de aprendizagem e leitura; 33% dos casos de TDA e TDAH, Dislexia e comportamentais e 55% dos indivíduos com traumatismos cranianos, concussões, lesão contragolpe, etc (GUIMARÃES, 2009).
O protocolo de diagnóstico da Síndrome de Irlen é realizado através de uma abordagem multidisciplinar, com contribuição de diversas áreas, como: oftalmologia, psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Tal protocolo envolve entrega de questionários caracterização e habilidades acadêmicas, anamnese, exames oftamológicos específicos, screening (avaliação para constatação de distorções visuais no processo de leitura pela metodologia Irlen) e diagnóstico do padrão de leitura avisando intervenções psicopedagógicas, oftalmológicas, neurológicas, etc.
O Método Irlen de tratamento oferece aos portadores da Síndrome de Irlen diminuição da sintomatologia ou em alguns casos sua eliminação completa. É válido ressaltar que não se trata de intervenção medicamentosa, nem invasiva, mas sim propõe dois tipos abordagem (IRLEN, 1991):
1. Uso de overlays – lâminas de sobreposição. Objetivos: proporcionar conforto, nitidez, estabilidade e fluência durante a leitura. Tratamento proposto pelo atual projeto.
2. Filtros de bloqueio espectral (em óculos ou lentes de contato) – prescrição exclusiva de oftalmologista.
Hoje o método Irlen de tratamento vem sendo utilizado em quarenta e dois países e em mais de quatro mil instituições de ensino. Nos Estados Unidos uma resolução adotada em Julho de 2009, durante a Assembléia Geral de NEA – National Education Association, que agrega aproximadamente 3 milhões de trabalhadores na área da educação foi aprovada a proposta de que todos os seus membros sejam informados sobra a Síndrome de Irlen e seu tratamento. Outros locais aonde os testes já vem sendo aplicados como de rotina são: Austrália e Reino Unido (GUIMARÃES, 2009).
No Brasil, a Síndrome de Irlen é conhecida há apenas quatro anos através de cursos oferecidos pela Fundação do Hospital de Olhos de Minas Gerais, em módulos teórico-práticos sobre a metodologia de diagnóstico e tratamento. A rede de profissionais capacitados é composta por cerca de 530 profissionais de diversas áreas da saúde e educação. Esses indivíduos capacitados são conhecidos como screeners em 16 estados brasileiros


Para maiores esclarecimentos no Rio de Janeiro:  
Cecília Inocêncio
Contato: cecilia@ceciliainocencio.com.br                    
                                                                                   
                           

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sobre o arrependimento...


"Desconstruir crenças absolutistas sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o outro, abandonar a ditadura dos "deverias" e do perfeccionismo faz a vida de qualquer um mais leve e feliz.  Saber lidar com suas limitações e enxergar suas potencialidades traz de volta a alegria de viver para jovens e idosos...  E quanto mais cedo melhor.    Claudia Marinho"





Saber lidar com o arrependimento promove velhice saudável

Pesquisa mostra que jovens e idosos depressivos não lidam bem com o resultado de suas escolhas. Mas só entre os mais novos isso traz benefícios

idoso
Idoso emocionalmente saudável lida melhor com os próprios erros. (Thinkstock)
Envelhecer de modo saudável está diretamente ligado à capacidade de lidar com o arrependimento. Quando uma pessoa é jovem, se arrepender de uma escolha pode ajudá-la a tomar melhores decisões no futuro. No entanto, a partir de certa idade, as oportunidades de desfazer escolhas ruins diminuem, e já não há mais tantos benefícios em remoer seus próprios erros. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na revista Science, liderada pela neurocientista Stefanie Brassen, do Centro Médico da Universidade Hamburg-Eppendorf. 
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Don’t Look Back in Anger! Responsiveness to Missed Chances in Successful and Nonsuccessful Aging

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Stefanie Brassen; M. Gamer; J. Peters; S. Gluth; C. Büchel

Instituição: Centro Médico da Universidade Hamburg-Eppendorf

Dados de amostragem: 21 jovens, 20 idosos depressivos e 20 idosos saudáveis

Resultado: Os jovens e os idosos depressivos tiveram a mesma reação de arrependimento quando viram o resultado de suas escolhas erradas. Já os idosos saudáveis não se arrependeram, pois criaram estratégias mentais para não se sentir responsáveis pelos erros.
A equipe de cientistas usou imagens de ressonância magnética para comparar a atividade cerebral de dois grupos distintos: 21 jovens de aproximadamente 25 anos e 40 idosos com mais de 65. Entre os mais velhos, metade era emocionalmente saudável e metade sofria de depressão. Todos os participantes tiveram de jogar umgame de computador no qual abriam uma série de caixas.
Dentro dessas caixas eles podiam encontrar moedas ou um desenho do demônio. Seu objetivo era juntar a maior quantia de dinheiro possível, mas toda vez que o demônio aparecia, ele retirava todas as moedas do voluntário e encerrava o jogo. Depois de abrir cada caixa, o participante tinha de decidir se continuava jogando ou parava por ali e ficava com todo o dinheiro coletado. No final, todas as caixas eram abertas, mostrando o quão longe os voluntários poderiam ter ido se continuassem no jogo. Isso acontecia porque o arrependimento é caracterizado pela comparação entre “o que é” contra o que “poderia ter sido”. Para induzir o sentimento, os cientistas não tinham apenas que mostrar o resultado de suas escolhas, mas também as oportunidades perdidas. 
Quando os jovens e os idosos depressivos viam que poderiam ter ganhado mais dinheiro, eles encaravam mais riscos na rodada seguinte. Com os idosos saudáveis, isso não acontecia. Ao analisar a atividade de regiões cerebrais envolvidas com o sentimento de arrependimento e a regulação das emoções, descobriram que o cérebro dos jovens e adultos depressivos agiu do mesmo modo. Já o cérebro dos idosos saudáveis mostrou um padrão diferente, dando provas de menor arrependimento e mais controle emocional. 
De acordo com os pesquisadores, os idosos saudáveis usavam estratégias mentais para se livrar do problema, como pensar que os resultados do teste eram produto de fatores em que eles não poderiam influenciar, como a sorte. Já os depressivos se culpavam pelos resultados. Como conclusão, os pesquisadores afirmam que treinar as pessoas a usar estratégias mentais para se livrar do arrependimento poderia ajudar a preservar a saúde emocional em idades avançadas.

Fonte: Veja